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Balantidiose (Balantidium coli): ciclo, sintomas, tratamento, transmissão e prevenção

17 set
Postado por Marina Caxias Categoria: Blog

Já ouviu falar em balantidiose? Neste artigo abordaremos temas relacionados ao Balantidium coli, descrevendo o seu habitat, a forma de transmissão desta doença e quais são as prevenções para esta protozoose.

As protozooses são doenças causadas por parasitas protozoários. Os protozoários são seres unicelulares, que não conseguem produzir seu próprio alimento (heteróficos). Dessa forma, a sua alimentação provem de compostos orgânicos derivados de outros seres vivos.

Essas doenças podem ser contraídas de várias maneiras, mas a principal é através da ingestão de alimentos contaminados ou através da via fecal-oral. Iremos falar mais sobre este assunto no decorrer deste texto.

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O que é balantidiose e qual o agente etiológico?

A balantandiose é uma doença capaz de causar uma infecção no intestino grosso. O agente etiológico desta doença é o Balantidium coli, e engana-se quem pensa que este tipo de doença só contamina humanos, esta parasitose pode contaminar tanto humanos, quanto vários tipos de animais.
Segundo a classificação taxiconômica, o Balantidium coli pertence ao reino protista, borda Ciliophora e possui o gênero Balantidium incluso na classe Listosmatea.
Para que você conheça um pouco mais sobre principal causador da balantidiose, separamos algumas informações importantes sobre ele. Confira abaixo.

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Como é a morfologia das formas evolutivas do Balantidium coli?

Para conhecer a morfologia do Balantidium coli, é preciso saber que ele possui dois estágios evolutivos, sendo um o trofozoíto e o outro o cisto. O tamanho do trofozoíto é de 50-200 µm de comprimento e 40-70 µm de largura. Já o cisto mede entre 50-70 µm de diâmetro.
Quando o protozoário está em sua forma de trofozoíto é possível se reproduzir. Por isso, essa é considerada a forma ativa deste protozoário. Veja a seguir uma imagem de um trofozoíto:

morfologia Balantidium coli cisto balantidium
Fonte da imagem: CDC- Centers for Disease Control And Prevention

Os cistos são formas mais resistentes deste protozoário, isso acontece quando o ambiente já não está tão favorável para eles, como exemplo quando o nosso corpo começa a produzir anticorpos para lutar contra essa infecção. Veja a seguir uma imagem de um cisto:

cisto protozoario balantidium balantidium coli
Fonte da imagem: CDC- Centers for Disease Control And Prevention


Alguns protozoários, como os ciliados, apresentam um poro permanente em sua superfície chamada de citóstoma. A função deste poro é receber os alimentos que chegam até ele através dos cílios que ficam ao redor do parasita. Na extremidade posterior deste trofozoíto encontra-se o citopígeo, local por onde é feito o descarte do resíduo digestivo dos alimentos.

Como é o ciclo de vida do Balantidium coli?

ciclo de vida do Balantidium coli cistos por meio de água contaminação por alimento

Imagem: BARBOSA, A. S. et al., 2015.

Para explicar melhor o ciclo da balantidiose, dividimos as fases em tópicos. Confira:

1. Ingestão do cisto: Através de água, alimento contaminado ou através da contaminação fecal-oral o cisto é ingerido.

2. Cisto sobrevive ao suco gástrico: a balantidiose é uma protozoose diferente, pois este cisto muitas vezes não sobrevive ao suco gastrointestinal. Entretanto, se a acidez deste estomago estiver baixa, a parasitose poderá se desenvolver. Apesar do ser humano não ser o hospedeiro perfeito para Balantidium coli, é possível que a doença continue o seu ciclo.

3. No intestino: após passar pelo estômago o cisto irá até o intestino delgado onde irá eclodir em trofozoíto. Este trofozoíto irá habitar o lúmen do intestino grosso, podendo até mesmo invadir tecidos.

4. Reprodução: este protozoário pode se reproduzir por divisão binário que gera novos parasitas dentro do corpo humano.

Como é a epidemiologia do Balantidium e seu habitat?

A balantidiose é uma doença que tem sua epidemiologia encontrada em diversas partes do mundo, mas a sua maior incidência é nas regiões tropicais e subtropicais, como a América Latina e o Sudeste asiático.

O principal habitat do Balantidium coli é o intestino dos suínos. Entretanto, os seres humanos podem contrair esta doença por meio do consumo de água ou alimentos contaminados com cistos do protozoário.

 
Existe algum vetor na balantidiose?

Para saber quem é o vetor da balantidiose é importante relembrar o conceito desta palavra. O vetor é veículo usado para transmitir o agente causador da doença. Existem vetores biológicos e vetores mecânicos.

Os vetores biológicos são os que recebem o agente da doença, que se multiplicam dentro deles. Já o vetor mecânico somente transporta o agente da doença, sem que ele se desenvolva.

O principal vetor do Balantidium coli é o porco. As principais áreas endêmicas desta doença são áreas rurais que possuem suínos ou locais onde o saneamento básico é precário.

Quem é o hospedeiro definitivo e intermediário na balantidiose?

Os animais são os que comumente podem ser infectados pelo Balantidium coli. Entretanto, nem sempre necessitam de um hospedeiro intermediário. Como muitos animais são mantidos em cativeiro em condições precárias, o próprio ambiente pode conter cistos e infectar os porcos.
Tanto o homem, quanto os animais podem ser hospedeiros definitivos do Balantidium coli. Afinal, os dois podem receber o protozoário e proporcionar condições para que ele amadureça (produza trofozoíto) e se reproduza.

Balantidiose – sintomas, transmissão e tratamento

Muitas pessoas que são contaminadas pelo Balantidium coli não possuem sintomas. Mas, são consideradas como um reservatório para essa doença. Afinal, mesmo assintomáticas podem liberar cistos em suas fezes.

Os sintomas da balantidiose são similares a uma virose ou a outras doenças intestinais, por isso é importante realizar exames de fezes quando sentir alguma disbiose no seu organismo.

Quando o parasita consegue entrar na mucosa do intestino, os sintomas sentidos são: diarreia, dor abdominal, a pessoa pode ter perda de peso e de apetite, pode sentir enjoos, ter febre e em casos mais graves a doença pode formar úlceras intestinais.

Apesar de negligenciada, esta doença pode ser fatal! Isso acontece quando a progressão da doença é grande e o protozoário conseguiu perfurar o intestino, causando hemorragias.

O diagnóstico desta doença é realizado através de exames laboratoriais, sendo o principal deles o exame de fezes. Os cistos do protozoário podem aparecer nas fezes da pessoa infectada e delatar a presença do Balantidium coli.

O tratamento da balantidiose é realizado através do uso de antibióticos que possuam ação contra protozoário, como por exemplo é metronidazol. O médico irá acompanhar a evolução deste paciente para verificar se é necessário realizar exames complementares.

Qual a forma de prevenção da balantidiose?

Se você chegou até este tópico, deve saber que esta doença pode ser perigosa e muitas vezes pode levar ao óbito. Pensando nisso, é comum se perguntar quais são as formas de transmissão da balantidiose? Iremos te explicar!

A principal forma de transmissão é através da ingestão de água ou alimentos contaminados com cistos de Balantidium coli. Além disso, é possível que a transmissão seja feita através da via fecal oral.

A principal forma de prevenção contra a balantidiose é reforçar os hábitos higiênicos. Lavar sempre as mãos e descontaminar os alimentos antes de consumi-los é fundamental. Além disso, é preciso higienizar melhor os locais onde porcos e animais são criados, fazer exames laboratoriais veterinários regulares nos animais também é uma forma de prevenção.

Gostou deste artigo? A balantidiose é uma doença fácil de prevenir, por isso é importante conhecê-la e orientar seus amigos e familiares sobre a importância das práticas de higiene e boas condições sanitárias. Restou alguma dúvida? Deixe um comentário!

Se você quiser saber mais sobre parasitoses, pode continuar lendo outros artigos aqui no nosso site! Leia sobre enterobíase, estrongiloidíase , ancilostomose e muito mais!

Referências

BARBOSA, A. S. et al. Estudo de Balantidium sp.(Claparède e Lachmann, 1858) isolados de suínos, primatas não humanos cativos e humanos no Estado Rio do Janeiro, Brasil. 2015. Tese de Doutorado.

Disponível em: https://www.arca.fiocruz.br/bitstream/icict/13181/1/alynne_barbosa_ioc_dout_2015.pdf

CDC- Centers for Disease Control And Prevention. Disponível em: https://www.cdc.gov/parasites/balantidium/index.html.

Dreamstime. Disponível em: https://pt.dreamstime.com/protozo%C3%A1rio-de-balantidium-coli-no-grande-intestino-image128971083.

PAULINO, F. et al. ASPECTOS SOBRE BALANTIDIUM COLI: UMA ABORDAGEM BLIBIOGRAFICA. Mostra Científica em Biomedicina, v. 1, n. 1, 2017. Disponível em: http://publicacoesacademicas.unicatolicaquixada.edu.br/index.php/mostrabiomedicina/article/viewFile/817/733.

Autora

Marina da Silva Caxias

Biomédica pós-graduanda em diagnóstico por imagem.

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