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Enterobíase (Enterobius vermicularis): ciclo, sintomas, diagnóstico, tratamento e prevenção

19 jun
Postado por Prof. Dr. Victor Proença Categoria: Blog

Nesse texto vamos tirar todas as suas dúvidas sobre enterobíase (enterobiose). Abaixo estão algumas das perguntas que vamos responder:

1) O que é enterobíase?

2) Por que a enterobíase também pode ser chamada de oxiuríase?

3) Qual o nome do agente causador da enterobíase?

4) Existe diferença entre oxiurus e enterobius?

5) Como é o ciclo de vida da enterobíase?

6) Qual o tipo de ciclo da enterobíase?

7) Qual a morfologia dos vermes de Enterobius vermicularis?

8) Como são os ovos de Enterobius vermicularis?

9) Quais são os sintomas da enterobíase?

10) Como é feito o diagnóstico da enterobíase

11) Qual o tratamento da enterobíase?

12) Como ocorre a transmissão da enterobíase?

13) Como deve ser feita a prevenção da enterobíase?

Se você tiver alguma dúvida que não está respondida aqui, deixa nos comentários, ok.

Vamos lá!

 

O que é enterobíase?

A enterobíase é uma parasitose intestinal causada pelo helminto Enterobius vermicularis. Ela também pode ser conhecida como enterobiose, ou oxiurose. Esse nome se dá, pois antigamente o Enterobius já foi chamado de Oxyurus vermicularis. Então popularmente também podemos encontrar o termo oxiúros. Um dos principais sintomas da enterobíase é o prurido anal (coceira no ânus). Mais para frente vamos explicar melhor os sintomas da enterobíase.

 

Por que a enterobíase também pode ser chamada de oxiuríase?

O nome dessa espécie de nematódeo já foi mudado algumas vezes. Antigamente ele já foi chamado de Oxyurus vermicularis, então na época a doença recebeu o nome de oxiurose, ou oxiuríase. O Enterobius vermicularis também é bastante conhecido popularmente como oxiúros.  

 

Qual o nome do agente causador da enterobíase?

O nome do agente causador (agente etiológico) da enterobíase é Enterobius vermicularis.

 

Existe diferença entre oxiurus e enterobius?

Oxiúros é sinônimo de enterobius. Antigamente o Enterobius vermicularis já foi chamado de Oxyurus vermicularis. Inclusive a doença ainda é bastante conhecida popularmente como oxiuríase.

 

Como é o ciclo de vida da enterobíase?

O ciclo biológico na enterobíase é bastante interessante e diferente dos outros helmintos intestinais. As fêmeas não liberam os ovos dentro do intestino do ser humano. Elas se deslocam pelo intestino, passam pelo esfíncter anal e alcançam o ambiente externo. E é na região perianal que ocorre a oviposição, durante o período noturno. Após as fêmeas chegarem à região perianal e oviporem elas morrem. Dentro do ovo encontra-se uma larva já formada. Ela precisa de uma atmosfera com oxigênio para se desenvolver. A maturação dos ovos na pele ocorre em 4 a 6 horas­­­. A partir desse momento eles já se tornam infectantes.

A infecção ocorre pela ingestão dos ovos, que eclodem no intestino delgado do hospedeiro. Esse hospedeiro pode ser uma nova pessoa, ou o próprio paciente, já parasitado). No intestino delgado os vermes se desenvolvem e migram para o ceco. Este é seu habitat definitivo, lá eles podem copular e reiniciar um novo ciclo.

Ainda em relação à infecção, ela pode ocorrer de duas formas básicas, a heteroinfecção e a autoinfecção. A heteroinfecção ocorre de um indivíduo para outro. Já a autoinfecção, ou reinfecção, ocorre quando o próprio indivíduo ingere os ovos procedentes do seu próprio intestino. Adiante vamos explicar melhor as formas de transmissão.

ciclo enterobius vermicularis enterobíase oxiurus

(fonte: adaptado de CDC.gov)

 

Qual o tipo de ciclo da enterobíase?

O ciclo na enterobíase é monoxênico.

 

Qual a morfologia dos vermes de Enterobius vermicularis?

As fêmeas medem cerca de 1cm de comprimento, sendo maiores que os machos. Elas são fusiformes com a cauda afilada. O macho mede 3-5 mm de comprimento. Eles apresentam a cauda enrolada ventralmente.

morfologia verme enterobius vermicularis enterobíase oxiurus

(fonte: adaptado de Rey)

 

Como são os ovos de Enterobius vermicularis?

Os ovos medem 50 a 60 μm de comprimento por 20 a 30 μm de largura e são ligeiramente achatados de um lado. Apresentam superfície pegajosa, que adere facilmente a qualquer suporte. No interior do ovo encontra-se uma larva já formada.

morfologia ovos enterobius vermicularis enterobíase oxiurus

(fonte: adaptado de CDC.gov)

 

Quais são os sintomas da enterobíase?

Geralmente a parasitose é assintomática. Apenas 5% das crianças parasitadas apresentam sintomas que podem ser atribuídos aos parasitas. Na maioria das vezes a ação patogênica no intestino se deve à ação mecânica e irritativa dos vermes. Eles podem produzir pequenas erosões da mucosa em seus locais de fixação no intestino. Se o número de parasitas for muito elevado, pode haver a presença de inflamação catarral. No hemograma podemos observar eosinofilia ligeira.

O sintoma mais característico dessa doença é o prurido anal. Ele é causado pela presença do parasita na pele da região anal. Em muitos casos pode ser observada uma vermelhidão na margem do ânus. Às vezes muco também sanguinolento também é encontrado. Além disso em alguns casos podemos observar pontos hemorrágicos na mucosa retal.

Devido ao intenso prurido anal, vários pacientes se coçam muito provocando intensas escoriações na pele da região anal. Em alguns casos podem ser observadas infecções bacterianas concomitantes. Essa coceira intensa normalmente ocorre à noite, logo após o paciente se deitar.

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Como é feito o diagnóstico da enterobíase?

Como já dissemos, o prurido anal é uma das principais manifestações clínicas da enterobíase. Então, esse sintoma geralmente leva o médico a pensar em enterobíase. Outro fato que facilita o diagnóstico, é a observação de vermes na roupa íntima ou na cama dos pacientes. Mas o que realmente confirma a presença de enterobíase é o exame parasitológico.

Os exames de fezes não costumam apresentar muito sucesso no diagnóstico. Dessa forma, a melhor maneira de encontrar os parasitas é com o método da fita gomada. Isso ocorre, pois as fêmeas prenhas não botam seus ovos dentro do intestino, mas sim na região perianal. De maneira resumida, o método da fita gomada (fita adesiva, ou método de Graham) consiste em aplicar uma fita adesiva sobre a pele da região perianal. Os ovos e fêmeas, quando presentes, aderem à superfície adesiva da fita. Quando essa fita é removida, ela pode ser colada em uma lâmina e observada ao microscópio.

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(fonte: adaptado de Rey)

 

Qual o tratamento da enterobíase?

O tratamento da enterobíase é feito com a utilização dos seguintes medicamentos anti-helmínticos:

  • Mebendazol = 100 mg, 2 x ao dia
  • Pamoato ou Emboato de Pirantel = 10 mg/kg de peso
  • Piperazina = 50 mg/kg de peso (dose diária)
  • Pamoato de Pervínio = dose única de 5-10 mg/kg de peso

 

Como ocorre a transmissão da enterobíase?

Existem duas formas básicas de transmissão: a heteroinfecção e a autoinfecção.

Heteroinfecção: chamamos de heteroinfecção quando a parasitose é transmitida de um indivíduo para outro. Nesse caso ela se dá geralmente pela inalação ou ingestão de ovos disseminados por via aérea. Ela ocorre facilmente entre pessoas que dividem o mesmo quarto. Quando o infectado movimenta suas roupas íntimas, ou as roupas de cama contaminadas, ele pode lançar grande quantidade de ovos no ar. A incidência dessa parasitose é especialmente alta em locais onde há grande quantidade de crianças. A heteroinfecção também pode ocorrer quando os infectados coçam a região anal e levam as mãos contaminadas à boca de outras pessoas. Esse tipo de transmissão é frequente em adultos que cuidam de crianças pequenas.

Autoinfecção: chamamos de reinfecção quando os ovos são provenientes do próprio paciente infectado. Ela pode ocorrer, por exemplo, quando o paciente coça a região anal e leva a mão à boca. Isso é bastante comum em crianças que tem costume de chupar dos dedos, ou roer as unhas.

 

Como deve ser feira a prevenção da enterobíase?

Como já citamos anteriormente, o tratamento deve ser realizado em todos os infectados. Além disso, algumas medidas de prevenção devem ser aplicadas. Elas se baseiam em medidas de higiene pessoais e coletivas, tais como:

  • Tomar banho de chuveiro todas as manhãs;
  • Trocar frequentemente as roupas de baixo, roupas de cama, toalhas etc.;
  • Lavar muito bem as roupas e fervê-las para destruir os ovos (mais de 55°C);
  • Assegurar que os dormitórios sejam bem arejados e não estejam superlotados;
  • Limpar adequadamente os ambientes de convívio e fornecer instalações sanitárias adequadas;
  • Lavar cuidadosamente as mãos após defecação, antes das refeições e antes de preparar alimentos;
  • Manter sempre as unhas curtas ou usar escova para sua limpeza;
  • Combater a onicofagia e orientar que os pacientes evitem coçar a região perianal, no caso de crianças pequenas usar macacões para dormir e aplicar pomadas antipruriginosas;
  • Utilizar aspiradores de pó para a remoção do pó, além de usar desinfetantes;
  • Educar adequadamente estudantes, professores, cuidadores e preparadores de alimentos em escolas, clubes etc.

 

Referências

Rey, Luís. Parasitologia: parasitos e doenças parasitárias do homem nos trópicos ocidentais / Luís Rey. – 4.ed. – Rio de Janeiro : Guanabara Koogan, 2008.

https://www.cdc.gov/dpdx/enterobiasis/index.html

https://www.cdc.gov/parasites/pinworm/index.html

 

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