Enzimas alteradas no exame de sangue – clique e descubra a importância!

29 maio
Postado por Prof. Dr. Victor Proença Categoria: Blog

 Enzimas são conhecidas como catalisadores biológicos. Elas executam a maior parte das reações químicas que acontecem no organismo. Isto é, desempenham funções vitais ao organismo, estão presentes em todos os tecidos do corpo humano e são sintetizadas no ambiente intracelular.

Suas finalidades catalisadoras permitem que diversos processos e reações químicas ocorram de forma ágil, aumentando a velocidade com que acontecem. Além disso, as enzimas são seletivas e realizam suas atuações apenas nos reagentes; São também chamados de substratos, onde agem de maneira específica e direta, sem que haja modificações nas reações.

Algumas enzimas possuem funções fisiológicas continuadas no organismo. Assim são as enzimas digestivas, que dissolvem o alimento em pequenos componentes para que sua absorção pelo intestino seja facilitada. Já outras são liberadas apenas em processos lesivos ou danosos do organismo. Isso porque, fisiologicamente falando, as alterações nos níveis e atividades de enzimas proporcionam indicadores muito sensíveis à proliferação celular ou lesão.

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Aplicação de enzimas em laboratórios de análises clínicas

A aplicação das enzimas no laboratório de análises clínicas, se dá, especialmente, como reagente de alta especificidade e sensibilidade em reações colorimétricas quantitativas. Elas também são aplicadas para prognóstico, diagnóstico, e monitoramento de tratamentos de inúmeras patologias. Podemos citar doenças cardíacas, ósseas, hepáticas, musculares e pancreáticas como as principais.

As enzimas colaboram de maneira significativa e fornecem informações de grande valia no que diz respeito a vários fatores em relação a algumas doenças como, por exemplo, a localização, a causa, o grau e o tamanho da lesão, além de permitir o acompanhamento da terapia medicamentosa, relacionando ao comportamento do corpo frente ao tratamento.

Dentre as várias finalidades e tipos de enzimas no corpo humano, três são as mais observadas e conhecidas: secretadas, plasma-específicas e celulares. As secretadas, estão inicialmente em sua forma inativa e, depois de serem ativadas, operam no espaço extracelular, como, por exemplo, hidrolases, proteases, geradas no sistema digestório, lipases, tripsinogênio, amilase, antígeno prostático específico, fosfatase ácida prostática, várias dessas podem ser encontradas no sangue.

As enzimas plasma-específicas são ativas no plasma, e são solicitadas nos processos de fibrinólise e coagulação sanguínea. Alguns exemplos desse tipo de enzimas são as pró-coagulantes como fator XII, fator X, trombina, entre outros. As enzimas celulares, em situações normais, se manifestam em níveis baixos no sangue e aumentam ao passo que são liberadas por dano ou lesão tecidual devido a alguma doença. Esse tipo de enzima possibilita, de acordo com sua alteração, informações acerca da doença em questão.  As principais enzimas celulares são lactato desidrogenases e transaminases.

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Interpretação das enzimas

O aumento da atividade ou nível das enzimas podem nos indicar distúrbios como ductos obstruídos, que prejudica as enzimas geralmente existente nas secreções exócrinas. A enzima lipase e a amilase, por exemplo, que, se o ducto pancreático-biliar estiver obstruído, essas enzimas irão retornar à corrente sanguínea; Elevação da síntese enzimática, como exemplo, após a ingesta de álcool, a gama-glutamil transferase (GGT) se eleva; Diminuição da retirada de enzimas do plasma causada por insuficiência renal, onde as enzimas excretadas na urina são afetadas, um exemplo disso é a redução da urina e elevação de amilase no sangue;

Também pode sugerir lesão celular extensa, ocasionada, de forma geral, por toxinas celulares ou isquemia, por exemplo, após a ocorrência de um infarto do miocárdio, a creatina quinase (CK-MB) se eleva; e, ainda, renovação celular aumentada ou proliferação celular, onde, no decorrer do crescimento ou reparação óssea após fratura, a fosfatase alcalina (FA) é elevada pelo aumento da atividade osteoblástica.

Já a diminuição dos níveis enzimáticos, é mais rara de acontecer, e podem nos mostrar deficiência congênita, como por exemplo, na hipofosfatasemia congênita, a redução da atividade da fosfatase alcalina (FA); variantes enzimáticas ou síntese enzimática reduzida, como no caso insuficiência hepática pela diminuição da quantidade de hepatócitos, causando a redução de colinesterase (CHE).

 

Enzimas e a representação clínica

Enzimas: Amilase

Enzima da classe das hidrolases que realiza a catalisação da clivagem do amido e do glicogênio. Essa enzima sérica é produzida pelas células acinares do pâncreas (tipo P). No trato intestinal, ela é secretada através do ducto pancreático, e produzida pelas glândulas salivares (tipo S), secretada pelo esôfago e boca. É responsável por começar a hidrólise na boca e no esôfago, do amido existente nos alimentos. Também existente nos pulmões, músculos estriados, tecido adiposo, ovários, tubas uterinas, testículos e sêmen.

Utilizada para verificação de patologia pancreática. A elevação dessa enzima no sangue pode sugerir pancreatite aguda ou crônica, insuficiência renal por declínio da depuração, carcinoma do pâncreas, lesões traumáticas e bloqueios dos ductos pancreáticos, patologia do trato biliar, lesões das glândulas salivares, distúrbios abdominais, cetoacidose diabética, entre outros.

 

Enzimas: Lipase

Enzima de alta especificidade que executa a catalisação da hidrólise dos ésteres de glicerol dos triglicerídeos em presença de sais biliares e um cofator conhecido como colipase. É sintetizada pelas células acinares do pâncreas, mas também presentes nos adipócitos, leucócitos, língua e mucosa intestinal. Também usada para detecção de distúrbios pancreáticos. A lipase é uma enzima mais específica para diagnóstico de pancreatite aguda em relação à amilase. Seus níveis elevados podem indicar a própria pancreatite aguda, atingindo o pico de elevação sérica da enzima em 24 horas, pancreatite crônica, ou ainda, obstrução do ducto pancreático.

 

Enzimas: Fosfatase Alcalina (FAL)

É um conjunto de enzimas inespecíficas que catalisa a hidrólise de diversos substratos em pH alcalino. Sua função está relacionada à processos de calcificação óssea e transporte lipídico no intestino. Sintetizada pelos ossos (osteoblastos) e pelo fígado, mas também existente na placenta, túbulos renais, mucosa intestinal e baço. A elevação dos níveis séricos da enzima pode indicar patologias ósseas como hiperatividade osteoblástica, doenças hepatobiliares como carcinoma, hepatites virais e cirrose, bloqueio da árvore biliar, ou ainda, gravidez (no terceiro trimestre). Alterações de FAL nesse período, podem demonstrar complicações como pré-eclâmpsia ou hipertensão.  Níveis reduzidos podem mostrar doença celíaca, hipofosfatemia, desnutrição ou hipotireoidismo.

 

Enzimas: Fosfatase Ácida (FAC)

É um conjunto heterogêneo inespecífico que realiza a catalisação da hidrólise de monoéster ortofosfórico, produzindo um álcool e um grupo fosfato. No sexo feminino, está presente em plaquetas, eritrócitos e fígado. E no sexo masculino se encontra em sua maior parte na glândula prostática, e no fígado, plaquetas e eritrócitos. A elevação nos níveis dessa enzima sugere hiperparatireoidismo, doença de Paget ou Gaucher, hiperplasia prostática benigna ou neoplasia prostática metastática.

 

Enzimas: Aminotransferases (transaminases)

Muito enzimas são utilizadas para examinar o desempenho do fígado e do coração. As enzimas Aspartato Aminotransferase, AST (transaminase glutâmica-oxalacética, TGO) e alanina aminotransferase, ALT (transaminase glutâmica-pirúvica, TGP) efetuam uma série de reações químicas formando o produto ácido glutâmico e cetoácido. A enzima AST (TGO) é presente tanto na mitocôndria em maior quantidade, quanto no citoplasma. Sua maior atividade está no músculo esquelético, fígado e miocárdio. Em menor quantidade está presente no baço, pâncreas, rins, pulmões, eritrócitos e cérebro.

Valores elevados desse grupo de enzimas podem indicar distúrbios hepatocelulares, cirrose hepática, hepatite aguda, mononucleose infecciosa ocasionada por Epstein Baar Vírus (EBV). Ou ainda insuficiência cardíaca congestiva, infarto do miocárdio e dermatomiosite ou distrofia muscular progressiva.

 

Enzimas: Creatina Quinase (CK)

É uma enzima que avalia patologias relacionadas ao sistema muscular. Executa a catalisação da fosforilação reversível da creatinina pela adenosina trifosfato (ATP) com a creatina fosfato. Essa reação gera ATP nos sistemas de transporte ou contráteis. Encontrada em grandes quantidades no tecido cardíaco, cérebro e músculo esquelético. A elevação dos seus níveis pode sugerir hipotireoidismo, lesão no sistema nervoso central (SNC), doenças do músculo esquelético como poliomiosite, miosite, ou distrofia muscular progressiva de Duchene; miocardite e infarto agudo do miocárdio. Insuficiência cardíaca congestiva, taquicardia, angina pectoris ou procedimentos cardíacos também podem elevar a CK. Isso pode mascar algum outro distúrbio, como o próprio infarto do miocárdio.

Além dessas, existem várias outras enzimas presentes no nosso corpo. Elas são capazes de auxiliar a prática clínica a detectar disfunções e monitorar distúrbios, por meio da análise clínica. Isso permite a identificação da doença de forma mais rápida, o que possibilita aplicar o tratamento com antecedência e elevar as chances de cura.

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Referências

LOPES, Homero Jackson de Jesus. Enzimas no laboratório Clínico: aplicações diagnósticas. Belo Horizonte, 1998.

 

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