Enzimas cardíacas e infarto do miocárdio: qual a relação?
Doenças de ordem cardíaca estão entre as que mais assolam a população em geral. Assim, a interpretação laboratorial dos exames de perfil cardíaco (como as enzimas cardíacas), é fundamental para os profissionais da saúde. Existe, dentro do perfil cardíaco, uma série de situações que precisam estar muito claras para o profissional da saúde. Somente assim será possível verificar o melhor cenário para cada tipo de tratamento ou acompanhamento.
Dentro do perfil cardíaco, existem diferentes proteínas e enzimas cardíacas que pode ser usadas. Dessa forma precisamos compreender o papel e o funcionamento de cada uma delas. Estes marcadores cardíacos são substâncias que, quando presentes na circulação, em determinadas quantidades, são indicadores de lesões no coração.
Por isso, dentro do perfil cardíaco, entender a função destas enzimas cardíacas como marcadores de lesão cardíaca, é fundamental!
Vamos agora, conhecer um pouco mais sobre cada um destes marcadores do perfil cardíaco!
Enzimas cardíacas presentes nos testes de perfil cardíaco
Dentro do perfil cardíaco, existem algumas enzimas que atuam como marcadores de função cardíaca e são usadas em exames laboratoriais.
Enzimas Cardíacas – Creatinofosfoquinase (CPK)
O exame laboratorial de creatinofosfoquinase traz com maior precisão, a incidência de lesões no músculo cardíaco. A creatinofosfoquinase (CPK) é uma enzima cardíaca. Ela tem uma função fundamental dentro do metabolismo dos tecidos contráteis, como o músculo cardíaco.
Ela se encontra em maior proporção nos músculos, tecido cardíaco e no cérebro. Em exames de eletroforese (que visa definir a concentração de proteínas), é possível ver com clareza e identificar três isoenzimas:
– CPK-BB, que é a enzima encontrada no cérebro;
– CPK-MB, que é a enzima presente no miocárdio;
– CPK-MM, que é a enzima presente no músculo estriado.
Dessa maneira, em exames que visam avaliar o perfil cardíaco, é a enzima CPK-MB que tem importância real.
A CPK-MB, apresenta uma elevação bastante acentuada (na corrente sanguínea) entre 3 e 6 horas após o princípio dos primeiros sintomas de infarto do miocárdio. Seu pico de elevação se dá entre 16 e 24 horas e ela se normaliza entre 48 e 72 horas.
Em casos de emergência, esta normalização que é um critério para a alta do paciente nas unidades de terapia intensiva. A CPK-MB, tem uma sensibilidade diagnóstica de cerca de 50% em três horas. Sensibilidade diagnóstica é a capacidade que ela apresenta em identificar o infarto do miocárdio logo após os sintomas se iniciarem. Este índice sobre para 80% cerca de 6 horas após o início do infarto.
CPK e Infarto do Miocárdio
Este é um exame feito, na grande maioria dos casos, em pacientes com suspeita de infarto do miocárdio. A amostragem é obtida através de coleta de sangue. Nos casos de valores séricos normais, a concentração da creatinofosfoquinase é de até 130 UI/ml para homens e nas mulheres, de até 110 UI/ml.
No infarto agudo do miocárdio, a CPK estará aumentada consideravelmente nas primeiras 2 a 6 horas, logo após o início do episódio. E pode alcançar valores máximos nas 18 a 24 horas que seguem o ocorrido.
Mioglobina
Assim como acontece com a enzima anterior, a mioglobina tem valores aumentados consideravelmente quando há lesão no músculo cardíaco. Dessa maneira, dentro do perfil cardíaco, este é um importante exame laboratorial para detectar maiores problemas.
A mioglobina é uma proteína de baixo peso molecular, apresentando uma estrutura muito próxima à da hemoglobina. Além disso, da mesma forma que na hemoglobina, a mioglobina também apresenta a capacidade de se ligar ao oxigênio.
Sua concentração aumenta consideravelmente quando temos uma destruição muscular. Após uma lesão isquêmica de qualquer fibra, por exemplo, a mioglobina é liberada de forma precoce na circulação sanguínea. Isso faz com que esta dosagem possa ser mensurada e ofereça ao médico, um quadro específico de diagnóstico de infarto do miocárdio.
Mioglobina e Lesão Cardíaca
É possível observar concentrações elevadas dessa proteína, em cerca de uma a duas horas após o início da precordialgia (dor localizada do lado esquerdo do tórax). Seu pico é atingido em 12 horas e, na grande maioria dos casos, se normaliza em 24 horas, quando há um único episódio de isquemia.
É importante salientar novamente, que esta curva, aliás, ajuda a detectar um novo infarto, quando o paciente apresenta dor precordial recorrente.
Porém, o simples aumento da mioglobina circulante não é algo que seja único da lesão cardíaca. Até mesmo a insuficiência renal pode causar tal aumento. Por isso, no geral, a elevação da mioglobina não é um fator determinante para diagnosticar o infarto do miocárdio, por causa de seu elevado valor preditivo negativo (varia de 83% a 98%).
Em concentrações consideradas normais, os níveis de mioglobina são um importante indicador de saúde cardíaca e de risco altamente reduzido de infarto do miocárdio. Por isso, este é um exame de grande importância dentro do perfil cardíaco. A mioglobina pode ser medida tanto pelo sangue, quanto pela urina, dependendo de cada caso.
Troponina
A troponina apresenta 3 formas diferentes: troponina I ou TnI, troponina C ou TnC e troponina T ou TnT.
Essas enzimas apresentam uma elevação considerável em um período de 4 a 8 horas, após o início dos sintomas de infarto. O pico máximo de elevação acontece no período de 36 e 72 horas e tende a se normalizar entre 5 e 14 dias.
As enzimas da troponina apresentam a mesma sensibilidade diagnóstica da CK-MB, que varia entre 12 e 48 horas após o início dos sintomas. Porém, na presença de portadores de doenças que causam a redução da especificidade da CPK-MB, os exames com base na troponina são fundamentais.
Pensando exclusivamente em exames que se baseiam em análise de enzimas, estes que foram apresentados aqui, são os mais utilizados e efetivos. Porém, temos ainda os exames não laboratoriais, como é o caso do ecocardiograma, prova de esforço e muitos outros.
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