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Creatina quinase (CKMB) alta no sangue: o que significa essa alteração no exame?

12 ago
Postado por Marina Caxias Categoria: Blog

Se você precisa saber o que é creatina quinase e o que representa esse exame de sangue, você está no lugar certo. Neste artigo vamos tirar todas as suas dúvidas sobre o exame de cretina quinase. Iremos responder as seguintes questões:

1. O que é creatina quinase?

2. Quais os tipos de creatina quinase?

3. Quais as diferenças entre CPK e CKMB?

4. Como é o exame de creatina quinase?

5. Para que serve o exame de creatina quinase?

6. Qual o valore de referência da CKMB?

7. CKMB alta no sangue, o que significa essa alteração no exame?

8. CKMB baixa, o que pode ser?

 

Lembre-se, caso você não encontre a resposta para a sua pergunta, escreva nos comentários. Esperamos que esse artigo possa contribuir com a sua carreira. Ótima leitura!

 

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1. O que é creatina quinase?

A Creatina quinase (CK), também conhecida como Creatinofosfoquinase ou Creatina Fosfoquinase (CPK), é uma enzima que degrada a creatinina e consome trifosfato de adenosina envolvida no fornecimento de energia (ATP) para os músculos. Pode ser naturalmente encontrada em pequenas quantidades no fígado, coração, pâncreas, cérebro, dentre outros órgãos. Quando presente nas células musculares esqueléticas e cardíacas, a maior parte do consumo de energia é usado para a contração muscular.

Por ser uma enzima, a CK irá depender diretamente da sua isoforma e de sua localização para assim exercer uma função específica ao se encaixar ao substrato, a creatinina e o convertendo assim em um produto, a Fosfocreatinina.
Para a detecção de CK, são utilizadas amostras sanguíneas que podem conter os mais variados valores para a CK, sendo um importante indicativo de alterações no organismo, principalmente musculares.

 

2. Quais os tipos de creatina quinase?

Existem cinco tipos de Creatina quinase, 2 formas mitocondriais (CKm) que está presente nas intermembranas das mitocôndrias, onde elas possuem a função de regenerar a fosfocreatina (PCr) a partir de ATP gerado. Assim como a creatina (Cr) importada do citosol. Essa é a forma de CK presente em tecido não-musculares.

TIPOS DE CREATINA QUINASE MITOCRONDIA SARCOPLASMA

 

Como demonstrado na imagem acima, além das duas formas de isoenzimas do CK mitocondrial, a mtCK (não-musculares) e sarcomérica mtCK (músculos sarcoméricos), existem outras 3 isoformas da CK citozoico presentes no citosol, que irão depender do tipo de tecido em que elas se encontram.

Essas isoenzimas são:
CK-BB: encontrada no músculo liso e na maioria dos tecidos não musculares, principalmente no tecido cerebral, normalmente está ausente no sangue periférico, entretanto podem apresentar uma forma atípica de BB, e serem liberadas pelo trato gastrointestinal, bexiga, rins, próstata e útero, em casos de comprometimento maciço desses órgãos, como por exemplo os casos de neoplasia.

CK-MM: encontrada nos músculos sarcomáticos, como o esquelético e no cardíaco, é ainda indicativo de possível perda de massa muscular, caquexia e desnutrição, ou até mesmo esmagamento traumático. Possui valor de referência variável para Homens, entre 32 e 294 U/L e para mulheres entre 33 a 211 U/L.

CK-MB: é encontrada principalmente na musculatura cardíaca, é indicativo para o diagnóstico de infarto agudo do miocárdio (IAM) e miocardites. Possui o valor de referência em até 5,0 ng/ml. Quando lesionados os músculos cardíacos, elevam esse valor dentro de 3 a 8 horas da lesão, atingindo pico máximo em 24 h. Após 72 h estabiliza e volta a valores normais.

 

3. Quais as diferenças entre CPK e CKMB?

A CPK é uma enzima que atua principalmente nos tecidos musculares, no cérebro e no coração, sendo solicitada a sua dosagem para investigar possíveis danos a esses órgãos. Já a CKMB é uma de suas formas mais específicas, representa 30% de todas as CK’s presentes no organismo, onde irá identificar alterações na musculatura cardíaca.

 

4. Como é o exame de creatina quinase?

É um exame de rotina, realizado facilmente em laboratórios médicos, no qual a amostra venosa do paciente será coletada. A partir disso, o laboratório pode separar a amostra em soro e plasma, e diante disto será realizada a dosagem de cada tipo de CK. Cada uma delas possui uma especificidade e deve ser feita por diferentes métodos laboratoriais de acordo com as suas propriedades e de acordo com a indicação médica.
Esses exames costumam ser determinantes para o diagnóstico de infarto, por exemplo quando se é solicitada a dosagem de CPK total, podemos demonstrar e avaliar o infarto, onde através do exame de eletroforese é realizado e será dosada a CK-MB além de outros marcadores cardíacos, como a mioglobina e a troponina, principalmente.

O resultado do exame é expresso em um gráfico, onde se determinam especificamente as curvas de crescimento destas substâncias no sangue. Valores normais estão entre 60 e 174 IU/L. Podemos identificar na curva de CK TOTAL, onde seu valor está em 600 IU/L, o que a demonstra um valor 3 vezes acima do seu nível basal, sedo comprovada pela 2ª curva através da isoforma CK-MB, em um valor de 200IU/L, que também se encontra acima do esperado; comprovando assim uma lesão cardíaca. Normalmente, a atividade isoenzimática no soro humano é de cerca de 96% para CK-MM e 4% para CKMB

CKMB INFARTO GRAFICO CREATINO QUINASE

 

5. Para que serve o exame de creatina quinase?

Com o exame de CK é possível realizar uma série de análises baseadas nas concentrações dessas enzimas em determinada região, e dessa forma é possível chegar a várias conclusões. Podendo ser um importante identificador de lesão muscular, muito útil no diagnóstico de doenças como infarto, insuficiência renal ou pulmonar, dentre outras.
Quando o exame solicitado for a CKMB é possível aplicar uma fórmula que pode nos ajudar nessa avaliação final:

Se sua relação for inferior a 4%, significa que é improvável uma síndrome coronariana, ou infarto. Já se o valor for entre 4 e 15%, indica a síndrome coronariana aguda. Se o valor for superior a 25%, é possível se pensar em macro enzimas circulantes.

formula CKMB CREATINA QUINASE EXAME DIAGNOSTICO LESÃO MUSCULAR

 

6. Qual o valor de referência da CKMB?

A CK-MB possui o valor de referência em até 5,0 ng/ml, ou 60 a 174 IU/L (unidades enzimáticas por litro); estima-se que 1 UI irá catalisar 1 μmol de substrato por minuto.
Quando lesionados os músculos cardíacos, elevam esses valores em um período de cerca de 3 a 8 horas do início da lesão, atingindo seu pico máximo em até 24h. e após 72 h se estabiliza e volta a valores normais.

 

7. CKMB alta no sangue, o que significa essa alteração no exame?

Altas concentrações da CKMB no sangue, indicam elevado grau de dano às fibras musculares cardíacas deste paciente, possibilitando assim que o médico avalie o grau de lesão miocárdica presente. Geralmente se identifica a distrofia, infarto ou ainda pode servir como diagnóstico de inflamações pós infartos, pois representa um grande esforço físico por parte do tecido muscular cardíaco. Este método tem sido utilizado no auxílio do diagnóstico do infarto do miocárdio há mais de 30 anos.
Entretanto, pode haver outras razões para esse aumento, como hipotireoidismo, alcoolismo crônico, alta carga de atividade física, distrofia muscular de Duchenne (até 20X o valor normal), uso de alguns medicamentos como o Clofibrato, dentre outros. Caso ocorra a elevação da CKMB sem alteração da troponina, devemos considerar a hipótese de esse exame ser um falso-positivo.

 

8. CKMB baixa no exame de sangue, o que pode ser?

Os baixos níveis de CKMB podem indicar que a principal suspeita médica para a realização do exame estava errada, sendo necessário uma melhor anamnese do paciente e outros exames a serem solicitados. Uma vez que as enzimas CK-MB possuem níveis normais em torno de 5,0 ng/ml, ou 60 a 174 IU/L. Em uma possibilidade remota, níveis inferiores a 5,0 ng/ml podem indicar processos como desnutrição severa e perda aguda de massa muscular.

 

Referências

Dickey W, Carson CA, Andrews WJ, Crowe PF. Apparent elevation of serum CK-MB not due to acute myocardial infarction. Br J Clin Pract. 1992;46(2):149-150.

Fonseca JE, Calado L, Metrass MJ. Increase of creatine kinase mb isoenzyme out of a context of acute myocardial infarct. Acta Med Port. 1998;11(5):507-510.

GUYTON, A.C. Fisiologia Humana. 5ª ed., Rio de Janeiro, Ed. Interamericana, 1981.

Takagi Y, Yasuhara T, Gomi K. Rinsho Byori. Creatine Kinase and Its Isozymes. 2001;Suppl 116:52-61.

Uma macromolécula capaz de alterar o resultado da CKMB e induzir ao erro no diagnóstico de infarto agudo do miocárdio. Camarozano ANA, Henriques LMG.Arq Bras Cardiol 1996 66(3):143.

 

Autora

Veronica Protocevich

Biomédica, Especialista em Circulação Extracorpórea e Assistência Cardiorrespiratória Mecânica.

 

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