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Hemograma e a análise clínica dos componentes do sangue – APOSTILA GRATUITA

15 jul
Postado por Dr. Victor Proença Categoria: Blog

O hemograma é o exame que analisa os componentes do sangue e seu funcionamento. O sangue é um tecido complexo do corpo humano que desempenha funções como levar nutrientes e oxigênio para todo o corpo. Além disso, ele também remove o lixo metabólico e resíduos direcionando-os para os rins e outros órgãos de excreção. Ele apresenta função essencial no nosso organismo, trazendo equilíbrio para todos os sistemas do nosso corpo e regulando o funcionamento interno. Resumidamente, ele é constituído por plasma, glóbulos brancos, glóbulos vermelhos e plaquetas.

 

O hemograma e as funções do sangue

Como dissemos anteriormente, o hemograma revela as características das células e outros componentes do sangue, bem como seu funcionamento. Ele avalia, de maneira quantitativa e qualitativa, células brancas como os leucócitos (também conhecida como série branca); ele também avalia as células vermelhas, como hemácias ou eritrócitos (chamada também de série vermelha); assim como as plaquetas, ou trombócitos (também conhecida como série plaquetária); além de outros elementos do sangue. 

É um exame de rotina que permite uma triagem de forma fácil e eficiente. Ele fornece informações acerca das condições do sangue, seus componentes e tecidos formadores. Ele também aponta, identifica e permite o diagnóstico de patologias existentes; além de permitir analisar o estágio de doenças em outros órgãos. O resultado da análise pode indicar doenças como infecções, anemias e leucemias, até mesmo antes que comecem a surtir os sintomas no indivíduo.

A análise clínica dos componentes do sangue tem como objetivos gerais verificar a saúde no contexto global. Além disso, ela permite o diagnóstico ou confirmação de uma situação médica a partir de sintomas, queixas do paciente ou dados clínicos. Com o hemograma também é possível supervisionar um caso clínico, quando já foi detectado algum distúrbio; ou mesmo, controlar e supervisionar algum tratamento medicamentoso quanto à influência no sistema sanguíneo.

 

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O hemograma: tipos de análises dos componentes sanguíneos

Como vimos anteriormente, a análise do sangue se divide em três categorias: série vermelha, série branca e série plaquetária. Cada série possui tipos de células específicas que serão avaliadas, além de outros aspectos.

 

Eritrograma, ou séria vermelha

Na série vermelha, são analisados: o hematócrito (Ht) que mensura a quantidade de glóbulos vermelhos que existe na amostra de sangue; Dosagem da hemoglobina (Hb); Contagem de Eritrócitos (CE), também conhecido como contagem de Hemácias em alguns laboratórios; Volume Corpuscular Médio (VCM) que é a visualização do tamanho das hemácias e auxilia na detecção da anemia; Hemoglobina Corpuscular Média (HCM), é o peso da hemoglobina no interior das hemácias; e Concentração da Hemoglobina Corpuscular Média (CHCM) que verifica o quanto a hemoglobina está concentrada dentro da hemácia.

 

Leucograma, ou série branca

A série branca é avaliada a partir dos elementos: Contagem total dos leucócitos (CTL) e Contagem Diferencial dos Leucócitos (CDL), que abrange monócitos, linfócitos, basófilos, eosinófilos e neutrófilos (bastonetes e segmentados). Já a série plaquetária é feita de forma quantitativa, por meio de contagem automatizada, onde pode-se observar também a amplitude da superfície das plaquetas e o volume médio plaquetário.

Além disso, análises qualitativas referentes a esses componentes devem constar no hemograma, como forma, tamanho e cor das células, existência de vacúolos, inclusões nucleares e citoplasmáticas, atipias celulares, entre outros, facilitando o diagnóstico clínico de diversas patologias.

 

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O hemograma: formas de coleta do sangue e análise

É necessário ter alguns cuidados quanto à coleta da amostra de sangue a ser analisada, pois, uma coleta feita inadequadamente ou um indivíduo que não seguiu as orientações, acarretará em alterações no resultado do hemograma. O sangue deve ser sempre colhido com anticoagulantes, sendo mais indicado o EDTA do potássio (EDTA-k2) na quantidade de 1,5 a 2,2 mg/ml de concentração final de sangue, a fim de evitar a coagulação do mesmo. Para impedir a hemoconcentração ou a hemodiluição, é muito importante seguir à risca a relação entre a quantidade de anticoagulante e o volume da amostra de sangue coletado.

 

Antes e durante a coleta de sangue

No momento da coleta, o profissional deve observar o estado físico do paciente, se está normal, desidratado, ofegante ou com aparência febril, entre outros, além de perguntar sobre o uso de medicamentos e do jejum, e deixar tudo devidamente registrado no prontuário ou ficha do paciente. Realizar a coleta com o indivíduo relaxado e com o garrote ajustado adequadamente.

 

Após a coleta de sangue

Logo após o término da coleta, o tubo com a amostra do sangue coletado deve ser, de forma lenta e por inversão ao menos cinco vezes, homogeneizado, e, em seguida, deve ser removida uma parte para que seja feito o estiraço sanguíneo (esfregaço). Tanto o prontuário do paciente, quanto o tubo e o esfregaço precisam ser enviados ao laboratório juntos, em até quatro horas, uma vez que a maioria dos neutrófilos possuem quatro horas de vida média.

 

Tipos de avaliação do sangue

O sangue pode ser avaliado de duas maneiras, a automática e a manual. A análise automática é a mais utilizada por sua facilidade, agilidade e rapidez, no entanto, tem uma margem maior de erro. A análise manual é realizada de forma que a leitura e contagem dos componentes do sangue é feita por meio de lâminas de vidro conhecidas como câmeras de Neubauer, este último método permite uma visualização mais precisa e com menos margem de erro.

Depois de realizados todos esses procedimentos, o profissional que realizou a análise deve verificar os resultados, e relacioná-los com os dados e prontuário do paciente.

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Aprendendo a interpretar o hemograma

Após a análise da amostra de sangue e dos seus componentes separadamente, vem o resultado que precisa ser avaliado e correlacionado aos dados clínicos do paciente.

Iniciando a leitura e interpretação na série vermelha, verifica-se o hematócrito que possui valor de referência em mulheres de 36% – 48% e homens de 40% – 54% (adultos), sendo que resultados inferiores indicam essencialmente anemia, mas pode aparecer com outras razões como distúrbios na medula óssea, gravidez, sangramento, hipertireoidismo e leucemia, por exemplo. Níveis elevados podem sugerir doença pulmonar crônica, hidratação deficitária e problemas cardíacos.

 

Contagem de Hemoglobina

A contagem de hemoglobina apresenta um valor normal para mulheres adultas entre 11,3 e 14,5 g/dL e para homens adultos entre 12,8 e 16,3g/dL, sendo que valores elevados podem nos direcionar a distúrbios como policitemia, patologias cardíacas ou pulmonares crônicas, ou apenas indicam indivíduos que moram em locais de altitude elevada. Já quando o resultado mostra níveis abaixo do normal, indica, fundamentalmente, a anemia.

 

Contagem de Eritrócitos

A contagem de eritrócitos ou de hemácias possui parâmetros de 4,5 a 6,1 x 10⁶/mm³ para homens adultos saudáveis e 4,0 a 5,4 x 10⁶/mm³ para mulheres adultas. Resultados abaixo podem nos mostrar anemia ou disfunção na medula óssea, e valores elevados nos indicam policitemia, tabagismo e alterações na medula óssea, por exemplo.

 

Volume Corpuscular Médio (VCM)

Já o volume corpuscular médio (VCM) apresenta valor de referência entre 77 e 92 µm³ para adultos em geral; e este é um fator que pode identificar a dimensão média dos glóbulos vermelhos, possibilitando a classificação da anemia em microcística ou macrocística, de acordo com o tamanho das células. Valores inferiores podem ser causados por talassemia ou anemia e superiores podem ser ocasionados por patologias hepáticas, álcool ou deficiência de ácido fólico ou vitamina B12.

 

Hemoglobina Corpuscular Média (HCM)

A hemoglobina corpuscular média (HCM) possui níveis de referência de 27 a 29 pg em adultos saudáveis. Níveis superiores indicam anemias hipercrômicas e podem ser causadas por baixas taxas de ácido fólico e vitamina B12; valores inferiores sugerem anemia hipocrômica ou anemia por falta de hemoglobina.

 

Hemoglobina Corpuscular Média (CHCM)

A concentração da Hemoglobina Corpuscular Média (CHCM) possui parâmetros entre 30 e 35 g/dL em adultos. Níveis inferiores demonstram hipocromia e valores elevados, hipercromia sendo mais rara.

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Leucograma, ou série branca

Em relação à série branca, são analisadas as contagens total e diferencial, além da morfologia de algumas células. Os leucócitos totais possuem valor de referência de 4000 a 11000 mm³ em adultos. Valores elevados, conhecido como leucocitose, indicam alguma infecção. Níveis mais baixos, ou leucopenia, podem sugerir reações tóxicas, infecções virais ou disfunção da medula óssea.

 

Leucograma: contagem diferencial

Já na contagem diferencial, são analisados os tipos de leucócitos e morfologias. Esses parâmetros são importantes para caracterização de diversas doenças e tipos de anemias. O valor de referência dos neutrófilos bastonetes é de 2 a 4%; a dos neutrófilos segmentados é entre 36 e 66%. A existência de neutrófilos jovens também é avaliada, bem como a presença de granulações tóxicas, inclusões anormais ou vacúolos citoplasmáticos. Essas alterações podem direcionar ao diagnóstico de infecções bacterianas, intoxicação por benzeno, deficiência de vitamina B12, doenças mieloproliferativas ou herança autossômica recessiva, por exemplo.

Os eosinófilos normais devem estar em valores como 2 e 4%. Índices elevados indicam parasitoses ou processos alérgicos. Os basófilos possuem valor de referência de 0 a 1% em adultos. Resultados superiores podem sugerir processos alérgicos. Os linfócitos, por sua vez, possuem parâmetros de 25 – 45%; e os níveis aumentados, denominados linfocitose, nos direcionam a patologias infecciosas agudas ou crônicas, leucemia ou alergia a medicamentos; já resultados inferiores (linfopenia) indicam tratamento imunossupressor ou deficiência do sistema imunológico. Os monócitos possuem valores de referência de 2 a 10% e indicam alterações após tratamentos quimioterápicos e números elevados sugerem infecções virais.

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Plaquetograma

O valor de referência das plaquetas no nosso sangue é de 140.000 a 450.000 /mm³ em adultos. Esse é um parâmetro muito importante a ser avaliado também de maneira morfológica. Resultados inferiores, ou plaquetopenia, podem ser causados por: infecções virais, sangramentos internos excessivos ou esplenomegalia; bem como por aplasia de medula, medicamentos, produtos químicos, coagulação intravascular disseminada, púrpura trombocitopênica trombótica ou autoimune, entre outros. Por outro lado, níveis elevados de plaquetas ou plaquetose, podem ser ocasionados por: inflamações e infecções crônicas. Assim como anemia ferropriva ou hemolítica, hemorragias agudas, leucemias, policitemia vera, entre outros.

 

Curso de Interpretação do Hemograma

Para conhecer mais sobre o hemograma e a análise dos componentes do sangue, clique na imagem abaixo.

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Referências

NAOUM, Paulo Cesar; NAOUM, Flávio Augusto. Interpretação laboratorial do hemograma. São José do Rio Preto, 2008. 

https://www.mayoclinic.org/tests-procedures/complete-blood-count/about/pac-20384919 

https://www.webmd.com/a-to-z-guides/complete-blood-count

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