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Formas Farmacêuticas e Vias de Administração de Medicamentos

16 maio
Postado por Prof. Dr. Victor Proença Categoria: Blog

As formas farmacêuticas são as categorias da forma física em que os medicamentos se apresentam e podem ser divididas, visando a melhor administração para cada idade ou situação clínica, facilitando a terapêutica do paciente. As formas farmacêuticas podem ser sólidas, semissólidas, líquidas ou gasosas. Podem ser classificadas também pela via de administração do medicamento sendo parenteral, oral, oftálmica, retal, vaginal, cutânea, pulmonar, nasal, sublingual, entre outras.

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Formas farmacêuticas sólidas

Existem variadas formas farmacêuticas sólidas, entre elas: cápsulas, comprimidos, drágeas, granulados, pós, supositórios, anéis, adesivos, óvulos, pastilhas, tabletes, filmes, dispositivos intra-uterinos, entre outros. Iremos comentar sobre os mais conhecidos e mais utilizados.

As vantagens das formas sólidas, em geral, são possuir sabor agradável, ou mesmo, não apresentar sabor, além de serem fáceis de deglutir, possui a dosagem correta e são portáteis. As desvantagens são que, embora fáceis de engolir, para quem possui problemas ou distúrbios de deglutição, ela é contraindicada, até porque, pode apresentar diversos tamanhos. Outra desvantagem é a possibilidade de causar irritação na mucosa estomacal, de acordo com a quantidade administrada.

 

Cápsulas

Revestimento solúvel onde estão armazenados os princípios ativos e/ou excipientes. A cápsula normalmente é feita de gelatina, mas também pode ser criada com amido ou outros tipos de substâncias. Além disso, pode ser mole, apropriada para medicamentos tanto sólidos, quanto semissólidos, ou dura. Pode se apresentar em diversas formas e tamanhos, geralmente com uma dose única do princípio ativo por cápsula, e pode auxiliar na melhora do sabor do medicamento.

 

Comprimidos

Forma sólida causada pela compressão de um ou mais princípios ativos, com ou sem excipientes. São encontrados em inúmeras formas, tamanhos, cores e até revestimentos, alguns podem trazer marcações em sua superfície para auxiliar na realização de doses diferenciadas. Os comprimidos podem ser subdivididos em algumas categorias, como segue.

 

Comprimidos sublinguais

Medicamentos feitos exclusivamente para uso abaixo da língua, onde, com a ajuda da saliva, se dissolvem e são absorvidos na mesma região. São recomendados, especialmente, quando medicamentos se destroem ou perdem sua atuação terapêutica no mesmo instante que se ligam ao líquido ácido do estômago, ou mesmo, para as substâncias que possuem dificuldade de absorção pelo intestino.

 

Comprimidos de revestimento entérico

São comprimidos envoltos por diferentes camadas de produtos que permitem que o princípio ativo passe pelo estômago e chegue ao sítio de absorção como, por exemplo, o intestino, sem se desintegrar, permitindo que inicie sua ação no local certo. São usados inclusive em situações onde o medicamento pode danificar o tecido estomacal.

 

Comprimidos mastigáveis

Tipo de comprimido formado para que sua desintegração seja simplificada pela movimentação da mastigação. Após o processo da mastigação, os pedaços do medicamento são engolidos, e então podem iniciar sua absorção e ação.

 

Comprimidos efervescentes

São comprimidos onde, juntamente com a droga ativa, contém também carbonatos, bicarbonatos e substâncias ácidas, que, ao entrarem em contato com a água, liberam gases. É especialmente feito para ser dissolvido em água antes da ingestão e a sua estrutura contribui para a dissolução e absorção diferenciada do medicamento.

 

Comprimidos de ação tardia/prolongada

Comprimidos que possuem um invólucro que faz com que a liberação do princípio ativo seja controlada. Isso possibilita que os medicamentos administrados inteiros, conforme forem sendo dissolvidos, comecem sua ação de maneira lenta, permitindo que sua atuação seja prolongada. Muito usados para o tratamento de patologias crônicas, onde este tipo de comprimido proporciona um intervalo maior entre a administração de cada medicamento para pacientes que necessitam de altas dosagens diárias.

 

Drágeas

Nada mais são do que medicamentos envoltos com açúcares para proteger o princípio ativo contra a desintegração ao passar pelo conteúdo estomacal, além de deixar o comprimido mais bonito e colorido, melhorar o sabor e a deglutição.

 

Pós e Granulados

Consistem, em partículas secas e sólidas agregadas, que apresentam volumes uniformes, sendo o pó em tamanhos reduzidos de partículas. Estes podem ser insolúveis, que os transformam em suspensões, ou solúveis, que os tornam soluções. São preparados que se deterioram facilmente após um pequeno tempo de contato com a água, portanto, devem ser dissolvidos em água apenas no momento da ingesta. Após entrar em contato com a água, é preciso ficar atento ao período em que a solução ou suspensão podem ser utilizados, e o tipo de armazenamento necessário, para prevenir a administração inapropriada.

 

Supositórios

Medicamentos que possuem ingrediente ativos dispersos ou dissolvidos na formulação. Os supositórios podem apresentar variados formatos e tamanhos. São formas farmacêuticas ideais para inserir em orifícios, como vaginal, uretral ou retal. Em geral, sua ação acontece ao se fundirem, dissolverem ou derretem devido à temperatura corporal.

 

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Formas farmacêuticas semissólidas

Se apresentam em forma de géis, pomadas, cremes, pastas, loções, unguentos, emplasto, entre outros. Normalmente usadas para aplicação tópica em pele ou mucosas, com absorção e ação local do princípio ativo.

Como vantagens dessa forma podemos citar que boas opções para praticantes de atividades físicas e possuem absorção e efeitos rápidos. As desvantagens são em relação à absorção dos produtos que podem diferir entre um tipo ou outro de formas farmacêuticas semissólidas.

 

Creme

É o resultado de uma emulsão constituída por uma etapa aquosa e outra lipofílica, ou seja, é feito de óleo e água. Por sua facilidade de dispersão no corpo, é indicada para extensões maiores de pele e são menos oleosas em relação às pomadas.

 

Pomadas e unguentos    

São medicamentos onde o princípio ativo sólido é introduzido em uma base oleosa e são empregados para uso externo que derretem ou se dissolvem ao entrar em contato com a temperatura corpórea.

 

Pastas

Produtos com consistências mais espessas, firmes e macias devido à utilização de uma concentração maior de sólidos em relação às demais formas semissólidas. Recomendados para aplicação externa no tecido tegumentar, possuem grande potencial de absorção de exsudatos e água, e são soluções pouco oleosas.

 

Géis

Preparados onde a base é a água e não possuem óleo em sua composição. Além dos ingredientes ativos e excipientes, possuem um agente gelificante para permitir a firmeza do produto.

 

Emplastro

Medicamentos onde o princípio ativo é revestido por um material natural ou sintético e possui uma base adesiva para aplicação externa. Sua ação acontece devido ao contato constante do princípio ativo com a pele através do adesivo, permitindo proteção ou ação queratolítica. Sua ação terapêutica acontece devido ao fato de, ao entrar em contato com a pele, o medicamento amolece e é absorvido pela superfície cutânea, onde realiza sua função.

 

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Formas farmacêuticas líquidas

As formas farmacêuticas líquidas podem ser divididas em xaropes, emulsões, soluções, suspensões, injetáveis, extratos, tinturas, entre outros.

As vantagens dessas formas são o sabor mais adocicado, que traz mais adesão ao medicamento, e à fácil deglutição, sendo bem aceito principalmente por crianças e idosos. O sabor adocicado também é uma desvantagem, pois, por carregar mais açúcares em sua composição, pessoas diabéticas devem tomar cuidado redobrado.

 

Emulsão

Solução contendo princípio ativo que representa duas etapas envolvendo, no mínimo, dois líquidos imiscíveis, onde um líquido é derramado sob a forma de gotículas, caracterizando a etapa dispersa ou interna, por meio de outro líquido (etapa contínua ou externa). O produto é estabilizado por meio de agentes emulsificantes.

 

Soluções

Medicamentos onde substâncias químicas são dissolvidas em uma determinada quantia de solvente. Podem ser divididas em soluções orais e soluções estéreis.

 

Soluções orais

Esses produtos são submetidos a elementos que tragam coloração e sabor melhor ao líquido para que a deglutição seja favorecida. Sua ingesta pode ser em gotas, ou em quantidade bem determinada, normalmente em ml.

 

Soluções estéreis

São produtos líquidos sem a existência de micro-organimos, como, por exemplo, em soluções injetáveis ou colírios.

 

Tinturas

Preparados que resultam de ingredientes ativos retirados de vegetais ou animais. São preparadas por maceração, onde o material vegetal é triturado ou macerado e se une com o solvente, ou por percolação, extraindo assim o princípio ativo.

 

Xaropes

Produtos que usam como componente base a água, que possuem grandes concentrações de açúcar. Utilizados para drogas com sabor extremamente ruim ou para pessoas que possuem resistência quanto à ingestão de comprimidos.

 

Elixir

Produtos que usam como base água e álcool, além de outras substâncias químicas e sabor doce. Pouco viscosos e menos utilizados devido ao uso do álcool.

 

Suspensões

Medicamentos que consistem em partículas sólidas não solúveis disseminadas em um veículo líquido. Ou seja, pela capacidade reduzida de dissolução, normalmente se acumulam no fundo do frasco, não permanecendo totalmente dissolvidas no líquido.

 

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Formas farmacêuticas gasosas

Esse tipo de forma se resume ao produto gasoso, usado com finalidades medicinais. Se apresentam em aerossóis e sprays. Os aerossóis se caracterizam por um “nevoeiro não molhante” constituído por micro gotas (cerca de 0,05 a 0,2 micrômetro de diâmetro). Instituem uma suspensão coloidal onde a etapa dispersa é o líquido e a etapa contínua é o gás.

Os Sprays, por si, são parecidos com os aerossóis, no entanto, possuem partículas maiores, de aproximadamente 0,5 micrômetro. Por esse fator, são classificados como “nevoeiro molhante”.

 

Vias de administração medicamentosa

A via de administração pode ser caracterizada como a maneira com que o medicamento ou princípio ativo entra em contato com o corpo. Esse elemento tem a ver com o objetivo do medicamento, o local de ação e o tipo de forma farmacêutica. São várias as formas de administração de medicamentos, entre elas estão: capilar, dermatológica, oral, bucal, epidural, inalatória (inalatória por via oral ou nasal), irrigação, nasal, oftálmica, otológica, retal, intra-arterial, intra-articular, intratecal, intramuscular, intradérmica, intrauterina, intravenosa, sublingual, subcutânea, transdérmica, uretral e vaginal, entre outras.

A seguir vamos simplificar um pouco algumas dessas vias de administração.

 

Dermatológica/tópica

Aplicação feita por meio da superfície da pele e anexos cutâneo. Os princípios ativos usados para essa via de administração são absorvidos de acordo com a permeabilidade cutânea e barreira epidérmica. Formas farmacêuticas utilizadas: loções, cremes, pomadas, adesivos, géis, soluções tópicas e adesivos.

 

Oral/bucal

Administração de medicamento através da cavidade bucal, ou em uma região específica como língua, dentes, palato ou gengiva. Os princípios ativos usados nessas vias, podem ser tanto para absorção local, quanto, ao serem deglutidos, podem possuir ação estomacal e intestinal, por exemplo. Principais formas farmacêuticas via oral: cápsulas, pastilhas, drágeas, comprimidos, gotas, xarope, suspensão, pós e soluções orais, por exemplo.

 

Inalatória

Aplicação do princípio ativo por meio do sistema respiratório nasal e oral concomitantemente para ação sistêmica ou local. Diferente da via oral/bucal, normalmente, a via inalatória é utilizada para que os princípios ativos possam ser absorvidos pelos pulmões ou outros órgãos do sistema respiratório. Aerossol e sprays são usados para essa modalidade.

 

Oftálmica

Administração da droga no globo ocular ou conjuntiva. Os ativos usados para administração por essa via, são de absorção local.  Pomadas oftálmicas e colírios são as formas mais utilizadas.

 

Intra-arterial, intra-articular, intratecal, intramuscular, intradérmica e intravenosa

Todas essas são vias de administração parenteral. Isso significa que as soluções ou suspensões são injetadas, respectivamente, no interior de uma artéria, articulação, fluido cérebro espinhal, músculo, derme e dentro de uma veia. Medicamentos administrados por esses tipos de vias, possuem distribuição disseminada. Geralmente sua ação se expande pela corrente sanguínea. Esse é o caso das vias intravenosa ou intra-arterial.

 

Subcutânea e transdérmica

Subcutânea é a administração de drogas sob a pele, na região subdérmica e hipodérmica. Transdérmica é a aplicação por difusão por meio da camada dérmica da pele. Indicada para absorção medicamentosa na circulação sistêmica.

 

Otológica

Administração no canal auditivo, sem causar danos no tímpano. São ativos que necessitam de absorção local. As principais formas utilizadas são pomadas e gotas auriculares.

 

Estas são as principais formas farmacêuticas e sua utilização em cada contexto. Se quiser aprofundar mais seus estudos e se tornar um profissional ainda melhor, conheça nosso curso sobre o tema, com 5 horas certificadas (https://ibapcursos.com.br/cursos/curso-de-formas-farmaceuticas/).

Referências

JUNIOR, Loyd V. Allen; POPOVICH, Nicholas G; ANSEL, Howard C. Formas farmacêuticas e sistemas de liberação de fármacos. 9 ed. Artmed. Porto Alegre, 2012.

ANVISA, Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Vocabulário controlado de formas farmacêuticas, vias de administração e embalagens de medicamentos. 1 ed. Brasília, 2011.

 

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