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Síndrome metabólica: o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento. Aprenda aqui!

18 set
Postado por Dr. Victor Proença Categoria: Blog

A síndrome metabólica é um distúrbio complexo. Muitas vezes é difícil de ser detectada. Ela envolve um conjunto de fatores de riscos cardiovasculares associados à resistência à insulina, à hipertensão arterial, aos transtornos da dislipidemia e à obesidade ou deposição abdominal de gordura.

Ela não é uma patologia nova, pois o termo Síndrome Metabólica (SM) surgiu em 1921. Os médicos Martin Richter-Quittner e Karl Hitzenberger observaram que a hipertensão, o colesterol e disfunções na glicose estavam ligados à obesidade e à resistência insulínica.

Existem diversas definições para a síndrome metabólica. Entre elas, IDF, OMS e NCEP/ATP III, sendo esta última, usada muito para uso clínico e estudos epidemiológicos. Isso permite facilitar o diagnóstico e tratamento por ter maior foco no fator cardiovascular. E por não utilizar a resistência à insulina como critério obrigatório para a indicação da síndrome metabólica.

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Síndrome Metabólica: Diretriz e Critério Diagnóstico 

Os critérios usados na definição NCEP/ATP III para o diagnóstico da SM, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cardiologia são:

  • Grau de obesidade medida por meio da circunferência abdominal igual ou acima de 102 cm para homens e 88 cm para mulheres. A circunferência abdominal deve ser medida na metade da distância entre o rebordo costal inferior e a crista ilíaca;
  • Triglicerídeos igual ou acima de 150 mg/dL; HDL – Colesterol abaixo de 40 mg/dL para homens e abaixo de 50 mg/dL para mulheres;
  • Pressão arterial acima ou igual a 130mmHg x 85mmHg, ou em tratamento medicamentoso para Hipertensão Arterial Sistêmica;
  • Glicemia em jejum igual ou maior que 110 mg/dL.

Outros exames laboratoriais podem ser feitos para a avaliação mais detalhada do risco cardiovascular global. Podemos citar a: creatinina, proteína C – reativa, ácido úrico, colesterol total, LDL – colesterol, microalbuminúria, eletrocardiograma e TOTG (glicemia de jejum e duas horas depois da ingestão de 75g de dextrosol). A presença do LDL – colesterol aumentado não é considerado como um critério diagnóstico para o distúrbio. Mas os pacientes que possuem resistência à insulina e síndrome metabólica, normalmente possuem um aumento da fração pequena e densa do LDL. Aumentando as chances de aterosclerose.

Mesmo não estando entre os critérios diagnósticos da síndrome metabólica, algumas condições clínicas e fisiopatológicas estão comumente relacionadas à SM. Como a doença hepática gordurosa não alcoólica, microalbuminúria, síndrome de ovários policísticos, estados pró trombóticos e pró inflamatórios. Além de de disfunção endotelial, acanthosis nigricans e hiperuricemia.

Conforme Penalva (2008), não existe uma causa predefinida para o desenvolvimento da síndrome metabólica, mas acredita-se que a resistência à insulina e a obesidade abdominal são fatores importantes para o aparecimento da SM.

O que é Síndrome Metabólica?

 

Síndrome Metabólica: Fatores de Risco e Epidemiologia

Pesquisas indicam que a obesidade e o excesso de peso são os fatores de risco primordiais para o desenvolvimento da síndrome metabólica. Esses fatores trazem uma cascata de consequências associadas ao organismo. A obesidade favorece o aparecimento de altos níveis de colesterol total, redução do HDL-colesterol, hipertensão e hiperglicemia. E por si só eles já estão relacionados com o risco aumentado de doença cardiovascular.

A obesidade abdominal, central ou visceral acontece quando a gordura corporal é distribuída de forma androide. Isso significa em torno da região abdominal, também conhecido pelo formato de “maçã” que o corpo adquire. Esse formato e essa deposição de gordura, a representação do principal aspecto da síndrome metabólica.

De acordo com Ferrari (2007), o depósito de gordura visceral, diferente da gordura subcutânea, está associado a várias alterações metabólicas plasmáticas, próprios da síndrome metabólica, que são:

– Elevação da secreção da angiotensina, que pode ocasionar o aumento de risco de hipertensão;

– Hipersensibilidade aos glicocorticoides;

– Elevação de triglicerídeos (TG), que prejudica a viscosidade sanguínea, trazendo mais suscetibilidade ao risco cardiovascular;

– Secreção aumentada de interleucina-6 (IL-6), que é uma citocina inflamatória;

– Altos níveis plasmáticos de glicose, que fazem o pâncreas liberar insulina em quantidade excessiva (hiperinsulinemia), onde, em longo prazo, deixa o organismo vulnerável à resistência à insulina e ao diabetes mellitus tipo II;

– Diminuição do colesterol HDL, fator essencial para efetuar o transporte reverso do colesterol, além de possuir funções antioxidantes, vasodilatadoras e anti-inflamatórias.

 

Síndrome Metabólica: Epidemiologia

Pesquisas epidemiológicas constataram que há uma forte conexão entre o sedentarismo e fatores de risco cardiovasculares como diabetes, hipertensão arterial, obesidade, dislipidemia e resistência à insulina. Logo, é recomendado a prática regular de atividade física para prevenir e tratar doenças cardiovasculares e outros tipos de patologias crônicas.

Desta maneira, o estilo de vida à base de hábitos alimentares não saudáveis e sedentarismo, contribuem muito para a crescente epidemia de doenças crônicas como a hipertensão arterial, o diabetes mellitus e a obesidade, doenças que geralmente vem acompanhada por hipercoagulabilidade, alterações lipídicas e risco aumentado de patologias cardiovasculares.

Assim sendo, as doenças cardiovasculares são as que mais causam mortes em países desenvolvidos e vêm aumentando o número de óbitos também em países subdesenvolvidos. No Brasil, é considerada a principal causa de morte. Vale ressaltar, que a síndrome metabólica associada à doença cardiovascular, eleva a mortalidade geral em aproximadamente 1,5 vezes e a cardiovascular em torno de 2,5 vezes.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia, em sua I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica (I – DBSM), foram observados prevalências elevadas de SM ao avaliar diversas populações como asiática, norte-americana e mexicana, onde, de acordo com particularidades da região estudada, observou-se a prevalência de cerca de 12,4 a 28,5 em homens e de 10,7 a 40,5 em mulheres, tornando a população feminina, com maior predisposição ao distúrbio.

Esta prevalência se torna maior em homens e mulheres acima de 60 anos, chegando a 42%. Além disso, na população geral, estima-se que cerca de 20% a 25% apresentem a síndrome metabólica, estando este dado se elevando no decorrer das últimas décadas.

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Síndrome Metabólica: Prevenção e Tratamento 

Entre os principais fatores que colaboram para o surgimento da SM, estão a alimentação inadequada, a predisposição genética e a inatividade física. Sua prevenção primária é um desafio mundial com grande repercussão na saúde da população em geral. Além da alta incidência de obesidade em todo o Brasil, ainda há outro agravante. Que é a tendência deste problema ocorrer em crianças em idade escolar, adolescentes e em classes de baixa renda.

Uma medida preventiva básica para a SM, seria adotar um estilo de vida saudável desde a infância. O que inclui a prática de atividade física regular e uma dieta equilibrada. A alimentação adequada deve priorizar a ingestão de frutas, leguminosas, hortaliças e cereais integrais. Assim como reduzir a ingesta de calorias em forma de gorduras, açúcares e sódio. Lembrando-se da atividade ou exercício físico regularmente, que, além de auxiliar a controlar o peso, aumenta o condicionamento cardiorrespiratório, regulariza a pressão arterial, controla a glicemia e reduz consideravelmente o risco relacionado a cada componente da SM.

De acordo com Penalva (2008), a obesidade deve ser o principal foco para iniciar o tratamento da síndrome metabólica. Uma vez que ela é o fator primordial para o desenvolvimento da SM, a redução do peso corporal já traz muitas consequências positivas ao organismo, como a redução da glicemia e da pressão arterial, a melhora da capacidade cardiovascular, a melhora do perfil lipídico e da sensibilidade à insulina, diminuindo o risco de doença aterosclerótica.

 

 

Síndrome Metabólica: Prevenção

Mudança intensa de estilo de vida, aliando exercícios físicos constantes com uma alimentação mais saudável e equilibrada é importante. A dieta indicada deve conter carboidratos complexos e integrais. Assim como proteínas e gorduras, dando preferência às gorduras do tipo mono e poli-insaturadas. É recomendado se exercitar em média 30 minutos diários, com uma atividade aeróbica de intensidade moderada.

Além da redução de peso, é importante tratar, de forma medicamentosa, as patologias componentes e relacionadas ao distúrbio. Com o objetivo de proporcionar uma melhora global e completa do quadro. 

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Referências

FERRARI, Carlos Kusanu Bucalen. Atualização: fisiopatologia e clínica da Síndrome Metabólica. Arquivos Catarinenses de Medicina Vol. 36, no. 4, 2007.

PENALVA, Daniele Q. Fucciolo. Síndrome metabólica: diagnóstico e tratamento. Rev Med (São Paulo). 2008 out.-dez.;87(4):245-50.

I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome Metabólica. Arquivos Brasileiros de Cardiologia – Volume 84, Suplemento I, Abril 2005.

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