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Conheça os 5 principais tipos de doenças do sangue humano – doenças hematológicas

17 dez
Postado por Prof. Dr. Victor Proença Categoria: Blog

Doenças hematológicas, ou doenças do sangue, são aquelas que comprometem a produção de componentes sanguíneos (hemácias, leucócitos e plaquetas). Esses distúrbios diferenciam entre anemias, linfomas, leucemias e mielomas. Entre os sintomas mais comuns e conhecidos, estão o cansaço e palidez, além das manchas roxas pelo corpo, devido à queda da contagem de plaquetas.  A seguir vamos explicar algumas das mais conhecidas.

 

Principais Doenças do Sangue


1. Anemia falciforme


A anemia falciforme é uma doença hemolítica hereditária, caracterizada pela presença de hemácias com formato anormal (em forma de foice, como é popularmente conhecida), que são removidas da corrente sanguínea e consequentemente destruídas. A alteração na hemácia constitui uma hemoglobina de formato anormal que, quando desoxigenada, torna-se relativamente insolúvel, formando agregados e impedindo sua mobilidade no fluxo do interior dos vasos sanguíneo. Para a grande maioria dos pacientes, as complicações vasoclusivas são muito mais problemáticas do que a anemia em si. Outras intercorrências também são frequentemente notadas, como síndrome torácica aguda, infecções bacterianas, úlceras de perna, AVC e complicações cardíacas, levando geralmente o paciente a nível hospitalar. Dor nos ossos, pele amarelada, e inchaço também são alguns dos sintomas.

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Fonte: https://labpratica.com.br/wp-content/uploads/2016/12/anemia-falciforme.4.jpg

 

2. Anemia ferropriva


Tem como anormalidade comum a diminuição da vida média dos glóbulos vermelhos. Também pode ocorrer por hemorragias intensas, sangramentos intestinais e menstruação exacerbada. É uma anemia carencial, por falta de ferro. É microcítica e hipocrômica, com algumas células em formato de lápis. Nesse caso, ferritina e ferro sérico estão diminuídos no organismo enquanto transferrina está aumentada. VCM e HCM baixos e RDW alto. O tratamento compreende doses orais de ferro.

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fonte: http://www.laboratoriobiomed.com/uploads/informativos/fotos/anemia_ferropriva_56017998a2624.jpg

 

3. Linfomas


É um tipo de câncer que atinge as células do sistema imunológico. Divide-se em dois tipos: linfoma de Hodgkin e linfoma não-Hodgkin. São diferenciados pelo tipo de células encontradas e pelo seu comportamento biológico. Somente após realizar uma biópsia da área afetada o médico estará apto a dizer se o linfoma é de Hodgkin ou não-Hodgkin. Também apresentam respostas diferentes à terapia. Sintomas mais comuns são aumento dos linfonodos, fadiga e perda de peso.

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fonte: https://revista.abrale.org.br/wp-content/uploads/2021/08/linfoma-de-celulas-do-manto.jpg

 

4. Mieloma múltiplo


Mieloma é um tipo de câncer que afeta a medula óssea. Ele se desenvolve nas células plasmáticas (um subtipo dos linfócitos B). O mieloma múltiplo é um câncer do sangue que causa enfraquecimento dos ossos, anemia e outros problemas, o que faz com que seja confundido com outras doenças. Esse tipo de câncer não tem cura, mas existem tratamentos recentes capazes de proporcionar alívio dos sintomas e melhora na qualidade de vida.

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fonte: https://www.hematomaringa.com.br/img/doencas/mieloma-multiplo.jpg


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5. Leucemia
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Doença maligna dos glóbulos brancos. A leucemia é o tipo de câncer hematológico mais comum. É caracterizada pelo rompimento do equilíbrio da produção dos elementos do sangue causada pela proliferação descontrolada de células tumorais. Os sintomas iniciais podem ser semelhantes aos de outras doenças, como dor nas articulações, cansaço e manchas avermelhadas, por exemplo. O tratamento é a quimioterapia e, em casos mais severos, o transplante de medula óssea. São tratáveis, podendo ser de diferentes tipos, conforme descrevemos a seguir.

 

5.1. Leucemia Mieloide Aguda (LMA)


Avanços no tratamento permitem, atualmente, remissão total das células afetadas. O tratamento deve ser agressivo, com quimioterapia e combinações de fármacos, como daunorrubicina, citarabina etc. Em idosos, o tratamento aconselhado é a utilização de apenas um fármaco (optando por usufruir ou não de quimioterapia, observando o estado do paciente). O transplante de células-tronco também é uma opção.

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fonte: https://www.abrale.org.br/wp-content/uploads/2020/05/formacao_de_blastos_lma.jpg

 

5.2. Leucemia Linfoide Aguda (LLA)


O primeiro tratamento indicado é a quimioterapia de indução seguida pela quimioterapia de consolidação. Se houver reincidência, a quimioterapia deve voltar a ser feita ou avaliar a possibilidade de transplante medular (geralmente para adultos, pois em crianças a quimioterapia tem boa resposta). O transplante surge como opção após a fase de consolidação com o uso dos fármacos daunorrubicina, citarabina, vincristina etc.

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fonte: https://newslab.com.br/wp-content/uploads/2019/06/leucemia.jpg

 

5.3. Leucemia Mieloide Crônica (LMC)


O tratamento só deve ser iniciado se a contagem de leucócitos for superior a 200.000/μL; caso contrário, a manutenção de alguns fatores deve ser efetuada, como controle da hiperuricemia e uso de fármacos citotóxicos. O transplante também é uma opção terapêutica. Há um fármaco no mercado (imatinibe) com ótima resposta hematológica.

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fonte: https://www.biosanas.com.br/uploads/img/itens_area_atuacao/14/b17beca823cae3d18e908ba7e2891116.jpg

 

5.4. Leucemia Linfoide Crônica (LLC)


Nesse tipo de patologia a quimioterapia não é a primeira indicação para o paciente, uma vez que as chances de cura nessa leucemia são raras e a quimioterapia poderia diminuir a vida do paciente ao invés de aumentar. Por isso, a abordagem corticoterápica é indicada. O tratamento padrão é fludarabina, ciclofosfamida e rituximab, e em idosos, clorambucil. Para pacientes mais jovens, há a opção de transplante, porém com alta taxa de mortalidade.

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fonte: https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/486/o/LLC.jpg

 

Como são de sintomas gerais, as doenças hematológicas devem ser tratadas o quanto antes, visando melhora do quadro com iniciação rápida do tratamento. É necessário divulgação de informações por parte da comunidade científica e da saúde visando empenhar o paciente a procurar ajuda caso sinta algum sintoma. Exames simples como hemograma norteiam o médico a respeito do quadro, sugerindo ou não, a necessidade de consulta com hematologista.

 

Referências


Hofbrand AV, Moss PAH. Fundamentos em hematologia; 6. Ed – Porto Alegre: Artmed, 2013.

Lyra IM, Gonçalves MS, Braga JAP, Gesteira MF, Carvalho MH, Saad STO, et al. Clinical, hematological, and molecular characterization of sickle cell anemia pediatric patients from two different cities in Brazil. Cad. Saúde Pública. 2005 Aug ; 21(4):1287-90.

MINISTÉRIO DA SAÚDE; Secretaria de Atenção à Saúde Coordenação‑Geral de Sangue e Hemoderivados; Manual de diagnóstico laboratorial das coagulopatias hereditárias e plaquetopatias; Brasília DF 2012.

 

Autora

Thais Aguilhera Miranda

Biomédica, Especialista em Hematologia Clínica. Cursando MBA na USP.

 

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