exame de escarro tuberculose tosse

Exame de escarro no diagnóstico da tuberculose: coleta e análise

20 maio
Postado por Prof. Dr. Victor Proença Categoria: Blog

O exame de escarro é muito utilizado na medicina para o estudo de infecções do trato respiratório. A coleta de secreção orofaríngea também é muito realizada. Esses são dois tipos de exames, retirados de dois locais anatomicamente distintos, porém interligados. Eles servem para avaliar e detectar bactérias, identificando a infecção existente por meio de duas culturas de lugares diferentes.

 

Exame de escarro: cuidados pré-analíticos

O exame de escarro é muito eficiente para a detecção de agentes infecciosos. Porém seu manuseio, forma de coleta e o transporte até o laboratório ou armazenamento, são essenciais para que o resultado seja correto, sem intercorrências ou contaminações. A amostra deve ser coletada apropriadamente e chegar em tempo útil ao laboratório para que o exame seja preciso. É necessário, então, a utilização de equipamentos estéreis, além da discriminação das etapas, formas e técnicas utilizadas para coleta, manuseio, transporte, entre outras informações sobre a amostra, como volume, número e qualidade, por exemplo.

De maneira geral, para que a coleta seja apropriada e eficiente, é importante usar estratégias para que contaminações diversas ou com micro-organismos saprófitos sejam evitadas e minimizadas. Fazer uso de instrumentos e técnicas adequadas, além de escolher o local anatômico correto para a coleta e a quantidade certa de amostra, também são itens que influenciam nos resultados. Outro ponto fundamental, é a identificação de cada amostra com dados do paciente, como nome completo do paciente, idade, número de identificação pessoal, data de coleta, tipo de amostra e o nome da pessoa que efetuou a coleta.

 

Exame de Escarro: aspectos analíticos

Para Silva (2005), o teste de cultura de escarro analisa bactérias do trato respiratório inferior. Ele é um método não invasivo, não causa nenhum grande desconforto e é muito frequente na prática clínica. Esse é um tipo de avaliação de baixo custo. Além disso ele possibilita informações bastante úteis em relação ao diagnóstico etiológico de patologias pulmonares. Normalmente, a cultura de escarro é feita no caso de infecções respiratórias agudas, como pneumonia típica ou atípica ou ainda, traqueíte e bronquite.

Em outras situações, como em algumas doenças crônicas pulmonares (DPOC, fibrose pulmonar, fibrose cística, bronquiectasias etc.), um teste de escarro também pode ser solicitado, caso o médico suspeite de uma infecção aguda estabelecida.

exame de escarro 1

Exame de Escarro: procedimentos de coleta

De acordo com a ANVISA (2004), a coleta do material a ser examinado deve ser feita por expectoração e sob supervisão. Durante o procedimento o paciente deverá seguir todas as orientações do profissional. É fundamental orientar o paciente para que seja coletado realmente o escarro e não a saliva. Na saliva não há representação de processos infecciosos pulmonares, sendo inapropriada para avaliação bacteriológica. A coleta do primeiro escarro da manhã, antes do paciente se alimentar, é preferível e pode ser mais exata. Vale ressaltar que é colhida apenas uma amostra por dia.

O paciente deve ser instruído a escovar os dentes apenas com água, sem uso de creme dental, e fazer vários enxágues. O paciente deve respirar fundo diversas vezes e tossir de forma profunda, para que o profissional possa recolher o escarro. Se a amostra vier em pouco volume, ou se o enfermo tiver dificuldades para tossir ou para expelir o escarro, pode-se tentar após a nebulização, ou ainda coletar a amostra por inalação ou aspiração transtraqueal. O escarro deve ser imediatamente encaminhado ao laboratório, mas, se não for possível, pode ser refrigerado.

Se houver suspeita de infecção por fungos ou micobactérias, é necessário coletar ao menos 3 amostras em dias consecutivos, sendo apenas uma por dia.

exame de escarro 2

Exame de Escarro: análise da amostra

A análise da amostra do escarro é feita em duas partes: a macroscópica e a microscópica. Na parte da avaliação macroscópica, são analisados a cor, consistência, volume, cheiro, cálculos de Dittrich, formação de camadas e cilindros brônquicos. As patologias mais comuns relacionadas à elevação do volume do escarro de 24 horas são o edema e abcesso pulmonar, empiema e a tuberculose cavitária avançada.

A análise microscópica é feita depois da coloração do escarro ou a fresco. Ela tem , por objetivo a identificação de estruturas dos microrganismos. Após o teste macroscópico, a amostra é isolada em uma lâmina de Petri onde são avaliadas as estruturas que não podem mais ser visualizadas depois da coloração. Essas estruturas são as células pigmentadas, fibras elásticas, cristais de Charcot-Leyden, espirais de Curschmann, glóbulos de mielina, parasitos e grãos actinomicóticos.

Depois que é feita a coloração, é realizado um esfregaço da amostra para que as bactérias e células presentes possam ser estudadas. São realizados dois tipos de esfregaço para detectar bactérias, o Gram e o Ziehl Neelsen.

A análise do escarro para o exame laboratorial é muito grande. Ela permite identificar e diagnosticar vários tipos de bactérias altamente nocivas ao sistema respiratório. Entre as mais comumente encontradas são: pneumococos, estreptococos, os bacilos da tuberculose e Influenza, o estafilococo, entre outros. Essa análise possibilita um tratamento precoce e a reabilitação de forma mais rápida.

exame de escarro tuberculose

 

 

Análise da secreção de orofaringe

A avaliação da secreção da orofaringe é muito utilizada para identificar e diagnosticar patologias respiratórias do trato respiratório superior. Nesse exame são analisadas a microbiota local, bem como micro-organismos patogênicos. Entre eles podemos citar: Streptococcus pyogenes (estreptococo beta-hemolítico do grupo A), Arcanobacterium haemolyticum, Corynebacterium pseudodiphtheriticum, Streptococcus beta-hemolíticos dos grupos C e G, S. pneumoniae, H. influenzae, S. aureus, Moraxella catarrhalis, entre outros.

Para coletar a amostra, o paciente precisa estar há, no mínimo, 7 dias sem consumir antibióticos. Deverá escovar os dentes normalmente, para que contaminações por outras bactérias que possam mascarar a real composição da microbiota do local sejam evitadas. De preferência, o exame deve ser feito pelo início da manhã, antes da ingesta de líquidos e alimentos. É necessário um cuidado com a saliva, pois ela contém uma microbiota bacteriana variada. Essa grande variabilidade pode dificultar o isolamento do real agente infeccioso.

 

Secreção de orofaringe: procedimento de coleta

Para realizar o procedimento, é preciso pedir ao paciente que abra bem a boca. O uso do abaixador de língua, possibilita a melhor visualização do local inflamado. Com o swab estéril faça esfregaços sobre a faringe posterior e as amígdalas. Lembre-se de tomar cuidado de não encostar na língua e no restante da mucosa bucal. Esta coleta deve ser feita em áreas hiperemiadas próximas aos pontos de supuração, sem existência de pus ou material necrótico. É interessante coletar dois swabs, sendo um para a confecção imediata da lâmina de bacterioscopia, e o outro reservado para cultivo. Eles devem ser transportados adequadamente para um laboratório dentro de 12 horas. E devem ser conservado em temperatura ambiente. Após o término do procedimento, deve-se anotar na etiqueta, a data e hora da coleta.

A coleta e análise da secreção da orofaringe em meios apropriados, o isolamento, a identificação e o teste de susceptibilidade aos antimicrobianos, são muito importantes para o meio clínico e de exames laboratoriais. Isso possibilita auxiliar no diagnóstico apurado das infecções correlacionadas com o trato respiratório superior.

Para saber mais sobre coleta de secreção de orofaringe e escarro, clique aqui. Ou clique na imagem abaixo para conhecer nosso curso online.

curso de exame de escarro

Referências

SILVA, Rosemeri Maurici da. O escarro no diagnóstico etiológico de afecções pulmonares em pacientes com HIV/Aids. Arquivos catarinenses de medicina, Vol 34, n. 1, 2005. Disponível em: <http://www.acm.org.br/revista/pdf/artigos/192.pdf>. Acesso em: 28 ago 2017.

ANVISA. Procedimentos laboratoriais: da requisição do exame à análise microbiológica. Módulo III, 2004. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/servicosaude/manuais/microbiologia/mod_3_2004.pdf>. Acesso em: 28 ago 2017.

 

passaporte ibapflix

Nenhum comentário ainda

You must be logado em para post a comment.