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Tudo sobre cancro mole (cancroide): o que é, sintomas, diagnóstico e tratamento.

01 set
Postado por Marina Caxias Categoria: Blog

Este artigo é sobre cancro mole (cancroide). Iremos abordar as seguintes questões:

1. O que é cancro mole (cancroide)?

2. Qual o agente causador do cancro mole?

3. Qual o tratamento do cancro mole?

4. Quais os sintomas do cancro mole?

5. Qual a diferença entre cancro mole e cancro duro?

6. Como ocorre a transmissão do cancro mole?

7. Cancro mole tem cura?

8. Qual a forma de prevenção do cancro mole?

9. Como é feito o diagnóstico do cancro mole?

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Introdução

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) até junho de 2019 eram mais de 1 milhão de novos casos de Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST) adquiridas diariamente no mundo todo, e dentre elas encontra-se o cancro mole.
Apesar de não ser muito difundida e possuir escassez de dados epidemiológicos – não há necessidade de notificação compulsória – esta é uma condição que pode acarretar consequências severas como quadros infecciosos generalizados, cicatrizes inestéticas e, em casos mais graves, deformidades e óbito.
Portanto é de suma importância a busca por orientação de profissional qualificada ao notar qualquer sinal de alterações físicas ou fisiológicas durante ou decorrente de práticas sexuais.

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O que é cancro mole (cancroide)?

É uma infecção bacteriana, sexualmente transmissível, que causa ulcerações dolorosas na região acometida. Muito frequente em países tropicais.

Como ocorre a transmissão do cancro mole?

Sua transmissão se dá de forma sexual (oral, anal ou vaginal) com indivíduo infectado, sem o uso de proteção.

Qual o agente causador do cancro mole?

A infecção é causada por uma bactéria, um cocobacilo GRAM-negativo, chamado: Haemophilus ducreyi (Figura 1)

agente causador do cancro mole Haemophilus ducrey infecção bactéria cocobacilo GRAM-negativo

Figura 1 – Haemophilus ducreyi – coloração de GRAM (fonte: https://www.sciencephoto.com/media/546632/view/haemophilus-ducreyi).

Quais os sintomas do cancro mole?

Inicialmente a infecção provoca uma ou mais lesões pequenas, purulentas que aumentam em tamanho e profundidade com o tempo, tornando-se úmida e dolorosa, com bordas moles e irregulares. Novas feridas aparecem em volta das primeiras após alguns dias (Figura 2).

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Figura 2 – Lesões ulcerativas em região oral (Fonte: https://www.drakeillafreitas.com.br/cancro-mole-ou-cancroide/).

A infecção pode se estender aos nódulos linfáticos próximos, principalmente virilha – no caso de infecção em órgãos genitais/ânus (Figura 3) – causando inchaço (íngua), dor e em casos mais agressivos, restrição de movimentos, rompimento nodular e extravasamento de secreção purulenta/sanguinolenta.

Febre, dores de cabeça e fraqueza também podem estar presentes durante a infecção.

Adenopatia decorrente de infecção por Haemophilus ducreyi cancro mole homem cancro sintomas genital

Figura 3 – Adenopatia decorrente de infecção por Haemophilus ducreyi (fonte: http://www.proencaderma.com.br/arquivos-tipo-atlas/cancro_mole.html).

Como é feito o diagnóstico do cancro mole?

O diagnóstico é feito por profissional competente e qualificado de forma visual na avaliação clínica levando em consideração o histórico do indivíduo e confirmado laboratorialmente através de análise microscópica de material biológico colhido das lesões (esfregaço direto), corado através da técnica da coloração de GRAM ou detecção de material genético bacteriano específico (Haemophilus ducreyi) em amostra biológica (swab) por teste molecular através de Reação em Cadeia da Polimerase (PCR).

Cancro mole tem cura?

Sim! Cancro mole tem cura, desde que sejam seguidas todas as orientações referentes ao tratamento fornecidas por profissional da saúde competente e qualificado.

Qual o tratamento do cancro mole?

Como na maioria das infecções bacterianas, seu tratamento é a base de antibióticos e cuidados higiênicos locais além de abstinência sexual durante todo o tratamento.
Os antibióticos mais utilizados são:
• – Azitromicina, 1 g – Via Oral (dose única);
• – Ciprofloxacina, 500 mg – Via Oral (12/12 horas por 3 dias);
• – Eritromicina (estearato), 500 mg – Via Oral (6/6 horas por 7 dias);
• – Ceftriaxona, 250 mg – Intramuscular (dose única).

É importante lembrar que alguns medicamentos possuem contraindicações como a ciprofloxacina que não deve ser utilizada por gestantes, outros podem causar intolerância gástrica como a eritromicina e necessitam de um medicamento protetor associado.
Recomenda-se que os parceiros sexuais também sejam tratados, mesmo que assintomáticos, pois a bactéria pode estar presente e ser transmitida.

 

Qual a diferença entre cancro mole e cancro duro?

O cancro mole pode ser confundido com a primeira fase da Sífilis (cancro duro) que também é uma infecção bacteriana que causa feridas ulceradas na área infectada. Ambas são adquiridas sexualmente e, por serem agentes bacterianos, são tratadas com antibióticos. As principais diferenças entre o cancro mole e o cancro duro podem ser vistos na tabela abaixo:

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Outra diferença relevante é a progressão da patologia na ausência de tratamento. Enquanto o cancro mole permanece ativo com aumento infeccioso e acometendo estruturas adjacentes como nódulos linfáticos, o cancro duro desaparece espontaneamente, dando a falsa sensação de cura e retorna posteriormente nas fases mais graves da Sífilis, com comprometimento sistêmico

Qual a forma de prevenção do cancro mole?

O cancro mole pode ser prevenido facilmente através do uso de proteção (camisinha) durante o ato sexual, mantendo-se a higiene local e evitando a troca constante de parceiros sexuais.

Referências

Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Programa Nacional de DST e Aids. Manual de Bolso das Doenças Sexualmente Transmissíveis / Ministério da Saúde, Secretaria de Vigilância em Saúde, Programa Nacional de DST e Aids. Brasília: Ministério da Saúde. 2005.

CANCRO MOLE – <https://www.infectologia.org.br/pg/995/cancro-mole> Acesso em 01/07/2020 às 17:05h.

CANCROIDE- <http://www.aids.gov.br/pt-br/publico-geral/o-que-sao-ist/cancro-mole-cancroide> Acesso em 01/07/2020 às 17:28h.

CHANCROID – <https://www.cdc.gov/std/tg2015/chancroid.htm> Acesso em 01/07/2020 às 18:40h.

INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS – <https://www.who.int/en/news-room/fact-sheets/detail/sexually-transmitted-infections-(stis)> Acesso em 01/07/2020 às 16:55h.

 

Autora

Francine Ferreira – Biomédica

 

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