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Radiofármacos, síntese e aplicação na medicina nuclear

13 set
Postado por Dr. Victor Proença Categoria: Blog

Dentro das áreas médicas e de saúde, é natural que haja diferentes linhas para um objetivo em comum: tratamento e prevenção de diferentes doenças. Nesse sentido, a medicina nuclear é uma das áreas que vem se mostrando cada vez mais promissora. Porém, a medicina nuclear só terá êxito em sua busca por melhores resultados nos tratamentos, se acompanhada do uso de Radiofármacos. Sem eles, não há chances de êxito.

Nesse sentido, se quisermos pensar em soluções e tratamentos através da medicina nuclear, sempre precisaremos levar em conta a síntese e aplicação dos Radiofármacos. Mas antes de pensarmos na síntese e na aplicação desses compostos, é muito importante entender do que estamos falando!

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O que é radiofármaco?

Oliveira et al. (2006) define os radiofármacos como sendo compostos, sem ação farmacológica, que têm presente em sua composição, um radionuclídeo (que são substâncias, que têm propriedades físicas que estão adequadas ao procedimento desejado).

Este radionuclídeo é usado para diagnóstico e terapia de inúmeras patologias. As características físicas e químicas dos radiofármacos determinam diretamente sua farmacocinética. Ou seja, eles determinam a sua fixação no órgão-alvo, bem como em seu metabolismo e eliminação do organismo. De outro lado, as características físicas do radionuclídeo determinam a forma como o composto será aplicado em terapia ou diagnóstico.

Dessa maneira, os radiofármacos tem uma aplicação direta no que preconiza a medicina nuclear. De acordo com Mather (2001), a radiofarmácia é conhecida de forma científica, como uma parte essencial da medicina nuclear. Isso, pelo fato de que sem os radiofármacos, seria impossível realizar uma série de procedimentos de ordem diagnóstica ou terapêutica. Os radiofármacos que são usados no mundo todo, salvo algumas exceções, são basicamente os mesmos. Estes são usados para que possamos visualizar alterações fisiológicas ou ainda, alguma distribuição anormal de determinado composto, que vai trazer dados para um diagnóstico mais detalhado e preciso.

Os radiofármacos são, desta maneira, medicamentos que, através da ação do radionuclídeo, emitem radiação gama e com isso, quando usados da forma correta, formam um medicamento específico para determinadas patologias. Administrar tais compostos exige um conhecimento elevado em medicina nuclear e em radiofamacologia por parte do profissional.

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Quais os tipos de radiofármacos?

Os radiofármacos são classificados de acordo com a forma como os compostos são criados e manipulados. Dentro da medicina nuclear e da radiofarmacologia, existem diferentes tipos de radiofármacos. Veja agora, os principais deles.

  • Tecnécio-99-metaestável: Este é um radiofármaco com um radionuclídeo artificial. Considera-se que sua quantidade de radioatividade se reduz a cada 6 horas. Ele emite um fóton gama com 140.511keV de energia, que é o ideal para uma câmara Gama. Em termos químicos, o Tecnécio-99-metaestável é altamente reativo. Dessa forma, ele reage diretamente com diversos tipos de células no organismo e com outras moléculas orgânicas. Isso lhe dá uma grande versatilidade em termos químicos. Com isso, muitos estudos da medicina nuclear se dão com base em estudos com radiofármacos Tecneciados.
  • Iodo-123 ou Iodo-131: Muito usados no estudo das disfunções e tratamento da tiroide. Têm emissão de radiação, respectivamente, de gama e beta.
  • Tálio-201: Este radiofármaco tem propriedades químicas que se assemelham em muito, com o Potássio (Isso faz com que o Tálio seja muito usado para a imaginologia cardíaca, já que ele se integrava com a bomba de sódio-potássio). Os fótons gama possuem baixos níveis de energia, mas as imagens eram menos nítidas e a sua interpretação, muito mais complexa. Isso fez com que estudos e técnicas com o Tálio-201 tenham caído em desuso.
  • Gálio-67: Possui propriedades muito parecidas com o íon de Ferro. É um emissor gama grande, com média energia. Muito usado em estudos de infecções e em tratamentos oncológicos.
  • Índio-111: semivida de 3 dias. É um emissor de radiação gama de média energia.
  • Xénon-133 e Crípton-81m: estes são gases nobres radioativos. Dentro da farmacologia, são usados em cintilografia de ventilação pulmonar.
  • Flúor-18: emite pósitrons e é usado basicamente, em procedimentos de exames para Pets.

De forma geral, estes são os principais tipos de radiofármacos. Eles são usados, de forma ampla, no mundo todo. Sua ação é estudada com grande afinco pela ciência da medicina nuclear. Com isso, há muita inovação e novos testes feitos nesta área, que dão maior respaldo científico para os profissionais de radiofarmacologia.

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Como são utilizados os radiofármacos na medicina nuclear?

Como já foi citado acima, a medicina nuclear só é possível realmente, por causa da administração de radiofármacos nos tratamentos e no diagnóstico. Por isso, eles são de importância fundamental para a medicina nuclear.

Uma das aplicações mais comuns e conhecidas por parte da grande população é a utilização dos radiofármacos para a obtenção de diagnósticos. A cintilografia é a mais comum. Ela apresenta diferentes aplicações dentro do contexto da medicina nuclear.

Outras aplicações tradicionais da radioatividade na medicina em termos de diagnóstico é a tomografia por emissão de elétrons. Porém, a utilização dos radiofármacos por parte da medicina nuclear não se dá apenas no diagnóstico. O Iodo 131, por exemplo, é um radiofármaco muito usado no tratamento de câncer da tireoide. Além disso, há casos mais específicos de radiofármacos usados, principalmente no tratamento contra o câncer. Para isso, usamos os radiofármacos que emitem partículas ionizantes.

Por isso a oncologia é uma área da medicina muito próxima à radiofarmácia. Dessa maneira, é muito importante entender de que forma, os radiofármacos são metabolizados em nosso organismo.

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Metabolismo dos radiofármacos

Dentro da radiofarmácia, é muito importante que haja a compreensão da forma como os radiofármacos são, de fato, metabolizados.

Em um tratamento com a administração de radiofármacos há uma série de reações metabólicas no organismo. O paciente em questão sofre de modo geral, diversos processos de metabolização, distribuição e excreção, da mesma maneira que acontece com diferentes fármacos.

O processo de excreção dos radiofármacos acontece através dos mecanismos existentes e comuns, como excreção renal, biliar ou outro. O tempo necessário que um radiofármaco existente no organismo leva para que este chegue a metade, é chamado de meia-vida biológica.

 

Desaparecimento de um radiofármaco do organismo

Em qualquer sistema biológico, o desaparecimento do radiofármaco acontecerá sempre por decaimento físico do radionuclídeo, que irá ocasionar invariavelmente, a eliminação biológica do radiofármaco. A combinação dos dois elementos terá a designação de tempo de meia-vida efetiva.

Este é um conceito muito importante, dentro da radiofarmácia. Afinal é preciso que o profissional em questão, busque um tempo de meia-vida efetivo suficientemente curto, para que a exposição do paciente seja minimizada em relação aos níveis de radiação. Porém, ele precisa também ser longo o suficiente para que seja possível realizar o procedimento por completo. Isso é ainda mais importante quando pensarmos na utilização dos radiofármacos para a obtenção de exames de diagnóstico.

Os radiofármacos que tem como objetivo o diagnóstico clínico, apresentam em sua composição, um radionuclídeo emissor G. Com isso, é muito importante que o radionuclídeo incorporado no radiofármaco, não seja um emissor de α ou β. Afinal, isso poderia fazer com que tivéssemos um aumento na dose de radiação absorvida pelo paciente.

A forma como os radiofármacos serão metabolizadas dependem de uma série de fatores. O tipo de radiofármaco usado, o objetivo do procedimento, o perfil do paciente, bem como alguns fatores individuais. Nesse cenário, cabe ao profissional conhecer as variáveis e adaptar as necessidades de cada paciente ao melhor procedimento.

A radiofarmácia é um segmento de grande importância dentro da prática médica e de saúde. Por isso, cabe a você profissional, buscar por mais conhecimento nesta área e ter, um maior embasamento. Isso será de grande valia para sua vida profissional e as soluções que você poderá encontrar.

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Referências

MATHER, S.J. Innovation in radiopharmacy: progress and constraints? Eur. J. Nucl. Med., v.28, n.4, p.405-407, 2001.

OLIVEIRA, R.S. Produção de radiofármacos no Brasil. Revista Controle de Contaminação, v.8, n.86, p.36-37, 2006.

http://www.cnen.gov.br/radiofarmacos

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