Entenda o que é ECMO (Oxigenação por Membrana Extracorpórea)!

03 ago
Postado por IBAP Cursos Categoria: Blog

ECMO, ou oxigenação por membrana extracorpórea, é uma técnica da medicina intensiva aplicada para fornecer oxigênio ao coração e ao pulmão de pacientes que apresentam insuficiência ou problemas nesses órgãos.

Com a técnica de perfusão extracorpórea o paciente conseguirá ter a depuração de dióxido de carbono e a oxigenação do sangue, mesmo sem precisar usar o pulmão. É, portanto, uma medida clínica para o auxílio temporário e para a continuidade de condições circulatórias vitais para o ser humano, por exemplo durante uma cirurgia.

A ECMO é um auxílio mecânico para os pacientes, e foi desenvolvido de acordo com os avanços tecnológicos. Sendo assim, a técnica vem salvando milhares de vidas no mundo todo.

Figura 1. Máquina de ECMO (fonte: https://www.maxhealthcare.in/top-procedures/ecmo).

Estudos cada vez mais avançados

Os cientistas buscam aprimorar cada vez mais o uso da ECMO. Sendo assim, buscam melhorar a durabilidade e capacidade dos aparelhos, e também a sua implantação no paciente.

A ciência também busca aperfeiçoar a parte mecânica com o intuito de evitar ao máximo problemas técnicos das máquinas. A redução dos custos para o aparelho também é foco de estudos.

Histórico da ECMO

A prática começou a ser implementada nos pacientes a partir de 1972. A tecnologia era voltada para pacientes com insuficiência pulmonar reversível, sendo uma variação da ECMO. Depois disso, a tecnologia ganhou espaço no mundo todo, sendo responsável por um aumento de 56% de sobrevida nos hospitais.

Como funciona a ECMO?

O aparelho possui três principais partes: tubos, membrana de oxigenação artificial e bomba propulsora. Esse equipamento dará assistência pulmonar e cardíaca ao paciente com insuficiência ou que apresente algum problema nesses órgãos.

A ECMO forma um circuito fechado de circulação extracorpórea. Sendo assim, há uma drenagem no sangue desoxigenado, com alta taxa de gás carbônico. Isso é feito a partir de uma bomba centrífuga na membrana de oxigenação externa e artificial.

Em outras palavras, o ECMO copia o funcionamento do corpo humano. E após a oxigenação, devolve o sangue para o corpo humano em um processo que deve ser contínuo, assim como os batimentos cardíacos e a respiração.

Além das partes já citadas, a ECMO ainda conta com cânulas, circuitos, conectores, oxigenadores, trocador de calor, bladder, bomba de rolete e bomba centrífuga. Sendo assim, é um aparelho complexo e extremamente eficiente.

Figura 2. Ilustração da ECMO veno-arterial (VA) e ECMO veno-venosa (VV). Exemplo dos locais de canulação para ECMO VA (veia femoral—artéria femoral) e ECMO VV (veia femoral-veia jugular interna) com fluxo sanguíneo pelo oxigenador (fonte: TALAHMA & DEGEORGIA, 2016).

Figura 3. A membrana oxigenadora na ECMO. A bomba da membrana de oxigenação extracorpórea leva o sangue venoso ao oxigenador. Este dispositivo é dividido em duas câmaras por uma membrana semipermeável. O sangue venoso entra no oxigenador e percorre um lado da membrana (lado do sangue), enquanto que o gás fresco é liberado no outro lado (lado do gás). A troca gasosa (entrada de oxigênio e eliminação de dióxido de carbono) ocorre através da membrana. O sangue oxigenado é reinfundido no sistema venoso do paciente (fonte: TALAHMA & DEGEORGIA, 2016).

Quando a ECMO não pode ser aplicada no paciente?

A ECMO é indicada para muitas situações graves de saúde que afetam o funcionamento correto do coração e do pulmão. Mas, há casos em que a técnica não pode ser aplicada nos pacientes, porque pode colocá-los em risco.

Esses casos de contraindicações são:

– Gestantes com menos de trinta e quatro semanas

– Recém-nascido com peso inferior a 200 gramas

– Hemorragia

– Coagulopatia grave

– Doença pulmonar irreversível

– Anomalias congênitas (certas síndromes)

– Hemorragia intracraniana

Os casos são variantes e é o médico o responsável pela decisão da aplicação da ECMO. A medida deve ser analisada com cautela de acordo com as necessidades do paciente.

ECMO – Cuidados de Enfermagem

Por ser considerado um tratamento de alta complexidade, a ECMO deve ser acompanhada de uma assistência de enfermeiros. A enfermagem, portanto, deve ter muito conhecimento sobre a utilização do aparelho, bem como os cuidados ao paciente em ECMO.

Cuidados

A enfermagem é responsável por:

– Monitorar os sinais vitais do paciente;

– Monitorar outros parâmetros hemodinâmicos, função neurológica e também níveis de sedação;

– Acompanhar a circulação periférica (pulsos, cor, temperatura e tempo de enchimento capilar);

– Fazer controles hídricos, eletrolítico e acidobásico;

– De hora em hora, o fluxo urinário do paciente também deve ser monitorado. A Enfermagem deve observar, portanto, a cor da urina e o volume. Sendo responsabilidade da equipe avisar aos médicos as alterações;

– Observar se não há sinais de infecção ou sangramento nos locais em que os tubos foram implantados no paciente;

– Os curativos devem ser trocados;

– Amostras de sangue devem ser coletadas;

– Monitorar coagulação do sangue e hemograma;

– Controlar medicações;

– Dar auxílio com suporte ventilatório;

– O paciente deve ser mantido aquecido com cobertores ou mantas térmicas;

 

A enfermagem deve manter o repouso absoluto do paciente. Para isso, é importante que a cabeceira da maca esteja elevada a 30 graus, variando em caso de instabilidade hemodinâmica.

A enfermagem, portanto, é uma equipe fundamental para pacientes em ECMO. Os enfermeiros são responsáveis por cuidados diárias e contínuos no tratamento desses pacientes. Sendo assim, a enfermagem deve estar sempre presente e acompanhar com atenção o processo de tratamento desses pacientes.

Além disso, a enfermagem é responsável por verificar e monitorar o funcionamento da aparelhagem eletrônica. Por exemplo, é importante verificar e ativar alarmes, evitar que sejam feitas dobras nos tubos e até mesmo vazamentos.

A enfermagem também deve prestar orientações aos pacientes e prezar pela higiene deles. É de responsabilidade dos enfermeiros, também, passar informações importantes aos familiares do paciente.

Figura 4. Especialistas em ECMO durante um procedimento (fonte: http://merivaara.episerverhosting.com).

 

ECMO em pediatria (recém-nascidos)

A ECMO é usada, principalmente, em bebês em situação grave do pulmão ou coração, e pode ser aplicada, também, em adultos e crianças. O sangue é oxigenado por um aparelho externo que imita o pulmão, e há um filtro que retorna ao corpo apenas o sangue oxigenado. Esse procedimento é aplicado, anualmente, em mais de dois mil e oitocentos bebês, de acordo com informações da Organização de Suporte à vida Extracorpórea.

Há aplicação da ECMO em bebês quando ocorre:

– Septicemia

– Parada cardíaca

– Cirurgia no coração

– Pneumonia grave

– Dificuldades respiratórias

– Insuficiência respiratória

– Hipertensão pulmonar

– Hérnia diafragmática congênita (presença de um orifício no diafragma)

– Síndrome de aspiração de mecônio

Figura 5. Oxigenador da ECMO para recém-nascidos (fonte: http://www.eurosets.com/portfolio/ecmo-new-born-14-days/)

ECMO no tratamento de crianças e adultos

O tratamento de crianças e adultos com o uso da ECMO cresce cada vez mais na medicina. A técnica é utilizada quando:

1) Crianças

– Há infecções graves

– Há malformação cardíaca congênita

– Há asma

– Houve cirurgias cardíacas

– Houve pneumonia

– Houve traumas

– Houve alguma emergência

– Houve aspiração de substâncias tóxicas

Figura 6. Oxigenador da ECMO para crianças (fonte: http://www.eurosets.com/portfolio/ecmo-paediatric-14-days/)

2) Em adultos…

– Houve pneumonia

– Houve traumas

– Houve alguma emergência

– Há necessidade de suporte cardíaco

– Há infecções graves

Figura 7. Oxigenador da ECMO para adultos (fonte: http://www.eurosets.com/portfolio/ecmo-adult-14-days/).

Quanto tempo dura a ECMO?

A duração do tratamento irá variar de acordo com o paciente. Eles irão receber alta na medida em que o tratamento não é mais necessário, por isso, não há um tempo determinado. Após a remoção da ECMO, geralmente, o paciente ainda fica por algum tempo com ventilação mecânica.

Para se ter mais informações sobre o tempo estimado que o tratamento irá durar, a família do paciente deve procurar pelo médico responsável. Entretanto, é indicado que, mesmo nesse momento difícil, a família tenha paciência com o tratamento.

Há riscos para os pacientes em ECMO?

O sangue do paciente em ECMO deve ser tratado para evitar coagulação. Para isso, os médicos utilizam heparina. Entretanto, isso aumenta os riscos de hemorragia. Sendo assim, o principal risco da ECMO é o sangramento. Por isso, é fundamental que haja um monitoramento diário das equipes de enfermagem, em busca de sintomas que demonstram sangramentos.

Os pacientes também possuem o risco de serem contaminados por infecções, por causa da inserção dos tubos. As transfusões de sangue, comuns neste tratamento, também aumentam as chances de contaminação. É importante, portanto, a troca de curativos e a higienização dos locais de implantação dos tubos.

Ainda há um risco ocasionado pela imperfeição tecnológica: máquinas falham. Os equipamentos podem apresentar erros e defeitos. Entretanto, a equipe de enfermagem é preparada para lidar com essas emergências, prezando pela vida e saúde do paciente.

Contudo, a ECMO é, realmente, um avanço tecnológico. Essa técnica salvou milhares de vidas e desempenha um papel fundamental para a saúde mundial. O tratamento se torna cada vez mais tecnológico e eficiente.

Figura 8. Hemorragia, uma das possíveis complicações da ECMO (fonte: http://neuroser.pt).

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