Diagnóstico molecular de doenças infectocontagiosas

29 ago
Postado por IBAP Cursos Categoria: Blog

As instituições médicas relacionadas ao diagnóstico de doenças e principalmente no que envolve o meio laboratorial de diagnóstico estão em constantes modificações a todo momento, principalmente para acompanhar a evolução tecnológica da medicina e até mesmo, alterações genéticas das próprias doenças. Além disso, é preciso estar sempre à frente no mercado competitivo e exigente, trazendo a necessidade de novos, melhores e mais eficientes métodos de diagnóstico, que possam auxiliar a medicina a determinar, de forma breve, o diagnóstico para que seja possível realizar os procedimentos seguintes.


Grandes avanços em relação ao entendimento da replicação do DNA, dos genes e do crescimento e desenvolvimento de células ocorreram graças às técnicas de biologia molecular. Por mérito de sua comprovação e evidências científicas, a biologia molecular foi introduzida e vem ganhando muito espaço, nos últimos anos, em inúmeros laboratórios clínicos e centros médicos, de forma a trazer diagnósticos de doenças infectocontagiosas e parasitárias precisos e mais rápidos.

Antes de aprofundarmos mais sobre o diagnóstico molecular em si, é necessário entender um pouco mais sobre a biologia molecular. Esta se desenvolveu no decorrer do século XX, onde, ao longo desse período, trouxe três marcos importantes para a história: a descoberta da estrutura do DNA, em 1953; das técnicas de RNA recombinante, em 1970; e em 1995, o achado de novos equipamentos e técnicas, que tornaram possível a automatização do procedimento de sequenciamento do genoma de organismos vivos.

Segundo Santos, Mendes e Varavallo (2011), um dos maiores e principais avanços técnicos que mais auxiliou na introdução do uso de ácidos nucleicos no ambiente clínico foi a reação em cadeia da polimerase (PCR), técnica descrita por volta dos anos 80 por Kary Mullis. Esse procedimento realiza a amplificação enzimática de regiões curtas de DNA in vitro. A partir disso, ocorre uma cadeia de processos, fases e procedimentos até chegar ao seu resultado final, que teoricamente, seria a geração de bilhões de cópias de DNA-alvo tendo como base uma única cópia de DNA, e tudo isso em uma altíssima velocidade.

De acordo com Macene e Ribeiro (2009), a amplificação de partes específicas do DNA acontece por ciclos com modificações de temperaturas. Existem ainda variações de PCR, com a finalidade de melhorar a particularidade e a eficiência da reação. Algumas modalidades mais avançadas de PCR são: a PCR em tempo real; RT – PCR (Reverse Transcriptase PCR), onde é possível amplificar amostras de RNA; Multiplex PCR onde pode-se amplificar diversos loci em uma única reação apenas.

(fonte:https://pt.khanacademy.org/science/biology/biotech-dna-technology/dna-sequencing-pcr-electrophoresis/a/polymerase-chain-reaction-pcr)

A modalidade PCR em tempo real permite, com o auxílio de plataformas de automação, que testes moleculares como PCR Chlamydia trachomatis/Neisseria gonorrohoeae (CT/NG), HCV genotipagem e HPV genotipagem – tipos 16 e 18 sejam efetuados por meio da total automatização da extração de DNA/RNA, com suporte de softwares validados, que avaliarão esses resultados dos testes.

O resultado dessa técnica ainda é examinado por eletroforese, onde é possível determinar o tamanho do fragmento de DNA obtido. Além disso, esse produto final ainda pode ser usado para outras aplicabilidades em biologia molecular, como, por exemplo, no sequenciamento genômico.

Os métodos moleculares vêm como uma alternativa diferenciada de diagnóstico etiológico de doenças infecciosas, provando ser muito eficiente e trazendo muito mais benefícios em relação às técnicas de diagnóstico usadas habitualmente, como os cultivos celulares, por exemplo. Uma das grandes vantagens das técnicas moleculares de diagnóstico em comparação às demais utilizadas é a rapidez e precisão dos resultados, muitas vezes, resumido a dias ou semanas. Isso permite um diagnóstico mais consistente em menos tempo, agilizando o plano de tratamento inicial e trazendo maiores probabilidades de recuperação em tempo reduzido.

A PCR é uma técnica consagrada de diagnóstico molecular, muito conhecida e muito importante no que se diz respeito ao diagnóstico molecular de doenças infectocontagiosas e parasitárias, pois, traz resultados precisos e pode ser utilizada tanto para o reconhecimento da doença, quanto para seu acompanhamento durante o período de tratamento, permitindo uma gama de informações acerca da situação da patologia instalada.

 

Diagnósticos moleculares X doenças

Foi percebido um notável avanço no diagnóstico das infecções virais como HIV, Hepatite C e Hepatite B; doenças parasitárias como leishmaniose e toxoplasmose e infecções bacterianas que possuem um difícil diagnóstico etiológico como cervicites e uretrites após o início da utilização da biologia molecular como meio de diagnóstico.

Estudos mostram que a PCR permite ainda, identificar microrganismos que não podiam ser cultivados, da mesma forma como aqueles que eram fastidiosos. O método PCR reconhece esses microrganismos, pois é capaz de detectar, através da amplificação, qualquer fragmento de DNA (ou de forma indireta o RNA), desde que a sequência seja conhecida. Dessa forma, em vários estudos e análises, a PCR provou detectar e identificar quase todos os microrganismos que são interessantes para fins clínicos.

(fonte:http://www.drakeillafreitas.com.br/como-fazer-o-diagnostico-do-hiv/)

Conforme Santos, Mendes e Varavallo (2011), por meio da técnica PCR aplicada em pequenas partes da mucosa oral de pessoas com hanseníase, foi detectado o genoma do Mycobacterium leprae. A técnica permite um resultado rápido e confiável também para a análise rotineira da infecção por micobactéria, mesmo se a patologia ainda não apresentar sintomas, possibilitando seu diagnóstico até mesmo com base em uma biópsia ambulatorial.

Outras análises efetuaram uma comparação da técnica de captura híbrida 2 (CH2) com a reação em cadeia da polimerase convencional (PCRc) e a em tempo real (PCR – TR), atuando na identificação do vírus do Papilomavírus Humano (HPV) de alto risco. Nessa análise foi descoberto que, apesar da captura híbrida ser um método muito utilizado e aceito para a indicação do HPV, ela possui menos sensibilidade em comparação às técnicas de PCR. No que diz respeito à velocidade de detecção, a PCR – TR é ainda mais eficaz que a PCRc, além de possuir um pouco mais de sensibilidade do que esta outra técnica de PCR. Este estudo provou que os métodos de PCR poderiam agilizar e tornar mais eficiente o processo de triagem de HPV nas clínicas e centros.

De acordo com Macene e Ribeiro (2009), ao comparar também o método PCR com outros meios diagnósticos padrões usados atualmente para o diagnóstico da tuberculose, é possível observar que o tempo aproximado necessário para a realização da PCR é de cerca de um dia, ao passo que as outras técnicas usadas hoje em dia, apresentam um tempo de, em média, 4 a 8 semanas, tornando possível uma grande redução no tempo do diagnóstico final.

Além disso, por possuir uma alta sensibilidade e usar primers que são específicos para micobactérias do complexo tuberculosis, o método PCR possui a capacidade de, em poucas horas, detectar a existência do patógeno da amostra e, auxiliar assim, a definir precocemente o melhor tratamento para o caso. Em casos mais extremos, é possível ainda que o teste não determine apenas a presença do patógeno, como também a sensibilidade de micobactérias aos tuberculostáticos disponíveis ao tratamento da tuberculose.

Os avanços e estudos em torno da biologia molecular e do diagnóstico molecular de doenças infectocontagiosas e parasitárias nos provam o quanto esse método está transformando os meios diagnósticos e, consequentemente, evoluindo os ambientes laboratoriais e centros médicos, tornando possível diagnósticos cada vez mais precisos e rápidos, o que facilita e agiliza os procedimentos terapêuticos, reduzindo o tempo da doença e melhorando o bem-estar dos pacientes.

 

Referências

MACENTE, Sara; RIBEIRO, Fernando Henrique de Mercês. Diagnóstico molecular de M. tuberculosis: uma revisão de técnicas. Rev. Saúde e Pesquisa, v. 2, n. 2, p. 225 -231, mai./ago. 2009.
SANTOS, Taídes Tavares dos; MENDES, Lucas Corrêa; VARAVALLO, Maurílio Antonio. Implantação de diagnóstico molecular de doenças infecciosas e parasitárias em laboratórios de análises clínicas: dificuldades e aspectos relacionados. Rev. Cereus, n. 6, dez. 2011.

 

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