Pesquisadores da Universidade de Toronto são os primeiros a mostrar suas anotações de laboratório em tempo real

13 maio
Postado por Categoria: Blog

A pesquisadora da Universidade de Toronto, Rachel Harding, será conhecida como a primeira pesquisadora biomédica a mostrar para o mundo suas anotações de laboratório em tempo real. As suas descobertas através do pós-doutorado de U of Structural Genomics Consortium da T (SGC) serão explicadas em tempo real pelo seu blog. Ela espera que a abordagem aberta ajude a acelerar o processo de pesquisa sobre a doença de Huntington.

“Isso deve conduzir o processo mais rápido do que trabalhando sozinha”, comenta a pesquisadora. “Ao compartilhar minhas anotações, espero que outros cientistas venham criticar o meu trabalho, colaborando e compartilhando dados nas fases iniciais de investigações”, completou.

Harding anunciou que estava abrindo suas notas de laboratório para o público na 11ª Conferência Anual HD de Terapeutas da CHDI, realizada no final de fevereiro de 2016.

A pesquisa de Harding é financiado pelo CHDI Foundation, uma organização de desenvolvimento de medicinas sem fins lucrativos com foque exclusivo para à doença de Huntington. A abordagem da pesquisadora destina-se a alavancar a experiência pela comunidade cientifica. Os pesquisadores normalmente trabalham de maneira isolada, compartilhando suas descobertas através de publicações anos depois de que foram realmente feitas. Desse modo, muitos cientistas acabam pesquisando sobre a mesma temática em paralelo, perdendo muitas vezes as oportunidades de aprender com os erros dos outros.

Ela começou a publicação de dados brutos e play-by-play pelo repositório digital da CERN, o Zenodo. Ela também lançava atualizações regulares pelo seu blog, o Lab Scribbles, onde ela incluía os resumos dos experimentos em termos leigos.

Apesar de décadas de esforço, os pesquisadores ainda não descobriram os mecanismos por trás da doença neurodegenerativa, Harding espera que sua pesquisa acelere os resultados sobre a doença de Huntington.

 

Sobre a doença de Huntington

doença de huntington

Até agora sabe-se que uma mutação do gene de huntingtina leva ao declínio cognitivo progressivo e a deterioração física, normalmente começando entre as idades de 35 e 50. Porém, a estrutura exata da proteína huntingtina codificada por esse gene ainda permanece um mistério. A proteína também tem uma estrutura complicada, pouco semelhante com proteínas conhecidas, o que torna o aprendizado por comparação mais difícil.

“Essa é uma grande proteína e difícil de estudar. É significantemente maior do que as demais proteínas da célula”, diz Harding.

Levando em consideração os desafios e as altas apostas, Harding terá toda a ajuda que pode obter. Ela espera que ao abrir suas anotações para a comunidade científica, ela vai ter novos contatos de comunicação e colaboração. A pesquisadora também convida pessoas que não são necessariamente cientistas para se envolverem no processo, incluindo grupos de pacientes.

“Isso é o que realmente gosto na pesquisa”, diz Harding. “Não é sobre grandes avanços ou resultados polidos, mas é uma forma de ficar mais perto de uma resposta. Acho que por ser uma pesquisa mais aberta todos nós podemos aprender a fazer experimentos melhores”, completou.

Essa mesma filosofia de base comunitária também é regida pela CHDI como um modo “colaboração facilitadora”, trazendo cientistas de diversas disciplinas para compartilhar recursos e conhecidos de pesquisas sobre a doença de Huntington. Foi por isso que a SGC proporcionou acesso ao público da matriz de dados e reagentes.

“Ao fornecer acesso aos dados brutos, bem como permissão de uso das ferramentas de pesquisas, nós vamos ajudar a comunidade a realizar experimentos mais robusto, o que irá acelerar o processo de descoberta de drogas e, potencialmente, o desenvolvimento de novos medicamentos”, disse Aled Edwards, professor do Departamento de Biofísica Médica da Universidade de Toronto e diretor e CEO da SGC.

 

Por: Marina da Silva Caxias | Texto Aprovado pelo Conselho Científico do Instituto Biomédico – IBAP

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