Bactérias orais podem estar ligadas ao risco de AVC!

11 jun
Postado por Categoria: Blog

Pesquisadores aumentaram a compreensão de uma associação entre determinados tipos de acidente vascular cerebral e com a presença de bactérias orais (cnm-positive Streptococcus mutans). O estudo foi feito com pacientes que deram entrada em um hospital para o tratamento de acidente vascular cerebral agudo.

O estudo foi publicado online em fevereiro de 2016, na coluna Scientific Reports, do jornal da Nature Publishing Group. Robert P. Friedland, MD e professor de neurologia da University of Louisville School of Medicine, foi co-autor do estudo.

 

O estudo da correlação das bactérias com o risco de AVC

avc

No estudo feito em um único hospital, os pesquisadores da National Cerebral and Cardiovascular Center de Osaka, Japão, observaram pacientes com AVC para poder obter uma compreensão melhor da relação entre o acidente vascular cerebral hemorrágico com as bactérias orais. Dentre os pacientes que apresentaram ter hemorragia intracerebral (ICH), cerca de 26% tinham uma bactéria específica na saliva, a cnm-positive Streptococcus mutans. Por outro lado, entre os pacientes diagnosticas com outros tipos de acidente vascular cerebral, apenas um grupo de 6% testou positivo para essa bactéria.

  • AVC

Os AVC são caracterizados por dois tipos diferentes, o acidente vascular cerebral isquêmico, que envolve um bloqueio de um ou mais vasos sanguíneos que irrigam o cérebro, ou acidente vascular cerebral hemorrágico, que ocorre quando os vasos sanguíneos do cérebro sofrem uma ruptura causando sangramento.

Os pesquisadores também avaliaram exames de ressonância magnética de temas de estudo para a presença de micro hemorragias cerebrais (CMB), que consistem em pequenas hemorragias cerebrais que podem vir a causar demência, que também são muitas vezes subjacentes de hemorragias intracerebral. Os cientistas descobriram que a incidência de CMB’s foi maior e mais significativo nos pacientes que tinham cnm-positive Streptococcus mutans na saliva do que naqueles que não possuíam.

Os autores levantaram a hipótese de que as bactérias S. Mutans podem se ligar aos vasos sanguíneos enfraquecendo o mesmo pela idade e pela pressão arterial, fazendo com que ocorram rupturas nas artérias no cérebro, conduzindo a grande ou pequenas hemorragias.

“Esse é um estudo que mostra a saúde bucal é importante para a saúde do cérebro. As pessoas precisam cuidar de seus dentes, pois isso é bom para o seu cérebro e para o seu coração, bem como para os seus dentes”, disse Robert P. Friedland. “O trabalho e o estudo relacionados feitos em nossos laboratórios mostram que as bactérias orais estão envolvidas em vários tipos de acidentes vasculares cerebrais, incluindo hemorragias cerebrais e acidentes vasculares cerebrais que levam à demência”, concluiu.

Vários estudos têm demonstrado uma estreita associação entre a presença de gengivite com doenças cardíacas, e uma publicação de 2013, de Jan Potempa, Ph. D., D. Sc., da Escola Uofl de Odontologia, revelou como a bactéria responsável pela doença de goma agrava o caso de atrite reumática.

A bactéria cnm-negative é encontrada em aproximadamente 10% da população geral, diz Friedland, e é conhecida por causar cáries dentárias. O cientista também está pesquisando o papal das bactérias orais em outras doenças que afetam o cérebro.

“Estamos investigando o papel das bactérias orais e intestinais na iniciação da patologia de doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e Parkinson, com colaboradores no Reino Unido e no Japão.

 

A importância da pesquisa

Mesmo sem maiores resultados, porque ainda é necessário aprofundar mais no assunto para compreender a correção das bactérias orais com o AVC, todo passo dado pelos pesquisadores é importante. Conforme os cientistas descobrem as nuances da doença, fica relativamente mais fácil desenvolver diagnósticos mais específicos que poderão no futuro resultar em tratamentos eficientes não só para o AVC, como também para outras doenças cerebrais.

 

Fonte: eurekalert.org

Por: Marina Caxias | Texto Aprovado pelo Conselho Científico do Instituto Biomédico – IBAP

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