A aplicação da genética forense em resoluções de crimes

09 jun
Postado por IBAP Cursos Categoria: Blog

A genética forense trata dos polimorfismos responsáveis pela variabilidade genética na população humana aplicados aos problemas legais e judiciais. O fato de usar o DNA para identificar uma pessoa continua sendo um raciocínio simples. Cada ser humano é diferente, duas pessoas podem ser mais ou menos parecidas. É comum ocorrerem semelhanças entre parentes próximos, no entanto, nunca são idênticos geneticamente, salvo em casos de gêmeos univitelinos.

A genética forense trabalha com vestígios biológicos comparando-os com diferentes amostras biológicas que são analisadas em laboratórios. Geralmente, estas amostras pertencem às pessoas implicadas em algum crime ou analisam materiais da vítima. Ela é uma das disciplinas relacionadas à ciência forense.

 

 

Essa subespecialização da genética está centrada em basicamente três áreas:

  1. Investigação de paternidade
  2. Criminalística
  3. Identificação

 

Áreas da Genética Forense

Conforme foram mencionadas anteriormente, é possível utilizar a genética forense em três áreas. A seguir serão incluídas algumas especificações a respeito delas:

 

  1. Investigação de paternidade

A genética forense é usada no intuito de efetuar a impugnação por parte do suposto pai ou fundamentar a reclamação da paternidade por parte da mãe ou do filho.

  1. Criminalística

A genética forense é usada amplamente nos casos de delitos sexuais (estupro) e assassinatos. Ela busca analisar restos orgânicos humanos como sêmen, cabelo, saliva, unha, pele, sangue. Além da análise, procura-se achar o criminoso mediante o trabalho conjunto com a polícia e demais áreas forenses.

  1. Identificação

A genética forense colabora na identificação dos corpos e de pessoas desaparecidas. É comum o uso das técnicas desta especialidade quando há morte e o corpo encontra-se em estado avançado de decomposição. Ela também é relevante quando há um caso de desaparecimento e após muitos anos a pessoa é encontrada com vida. Além destas situações, a genética forense pode ser extraordinariamente usada em outros casos como sequestros.

Origem da Genética Forense

 

Ela é fruto da evolução de um outro ramo conhecido como hemogenética forense. Nasce nos primeiros anos do século XX, quando Karl Landsteiner descreve o sistema ABO e Von Durgen y Hirschfeld descobrem a sua transmissão hereditária.

O objetivo desta ciência era a identificação genética de crimes e casos de paternidade.

Inicialmente, as investigações estavam dirigidas ao estudo dos antígenos dos eritrócitos (sistema MN, Rh e ABO), enzimas eritrocitárias e proteínas séricas.

Amostras usadas pela Genética Forense

 

As amostras mais frequentes onde se encontram vestígios de DNA são o sangue fresco, sêmen, fluidos mistos e tecidos cadavéricos (ossos, dentes e tecidos moles). Além disso, são usados fluidos em suportes sólidos como papel filtro, algodão, entre outros.

Embora as fontes de DNA citadas acima sejam as mais conhecidas e importantes em termos de informação genética, é importante ressaltar que há outras fontes um pouco menos intensas em termos de carga genética tais como parafina, unhas, cartões postais, restos de utilidades para cuidado pessoal. As chances de encontrar DNA nestas fontes são menores, a obtenção de DNA costuma ser difícil porque existe um alto grau de contaminação ambiental. Além disso, a mostra pode ser muito pequena para obter informações significativas.

 

Fatores que determinam a qualidade dos indícios biológicos genéticos

 

Os restos biológicos se encontram em condições adversas quando abandonam as condições controladas e estáveis do organismo. Em especial quando essas circunstâncias se referem às condições de meio ambiente, temperatura e umidade, exposição aos agentes químicos e microrganismos, como fungos e bactérias. Muitas vezes, a variação de ambiente acaba causando a degradação do vestígio ou dificultam a sua análise. Essas podem ser consideradas ocasiões que limitam a leitura da informação genética. Como consequência, obtêm-se resultados parciais pouco confiáveis ou simplesmente não se obtêm resultados.

Como pode haver a contaminação das amostras genéticas?

 

  • Contaminação por material biológico humano.
  • Transferência de indícios biológicos.
  • Contaminação microbiológica.
  • Contaminação química.

 

Precauções básicas para proteção das amostras genéticas

 

  • Isole e proteja a cena do crime e retire rapidamente os indícios biológicos. Estes devem ser os primeiros a serem recolhidos.
  • Use luvas de látex limpas e novas.
  • Evite falar, espirrar ou tossir próximo às amostras. É indispensável o uso de máscaras.
  • Use um jaleco ou outro tipo de roupa protetora.
  • Não adicione conservante às amostras.
  • Deixe que as amostras sequem em temperatura ambiente, em local protegido, antes de colocá-las em sacolas rumo ao laboratório.
  • Embale cada amostra individualmente.
  • Sempre que possível, empacote as amostras em sacolas de papel ou caixas de papelão evitando o uso de materiais plásticos.
  • Logo após efetuar o recolhimento da amostra, jogue no lixo todo o material descartável usado. Para isso use sacolas de lixo ou recipientes para resíduos biológicos. Assim, posteriormente esses detritos poderão ser eliminados de acordo com as normas de destruição de resíduos biológicos.

 

Sistema de embalagem e reserva das amostras

 

  1. Identificação das amostras

A correta identificação é feita atentando para a colocação do número de referência da amostra, tipo de amostra, a quem pertence ou a localização dela.

  1. Cadeia de custódia

É preciso que conste o nome ou identificação, inclusive a assinatura da pessoa que fez a coleta da amostra. Também é indispensável a colocação de outras informações tais como a data e hora na qual a amostra foi recolhida.

  1. Sistemas de acondicionamento
  • Tubos com resíduos líquidos

Os tubos com conteúdo líquido devem ser introduzidos em tubos de transporte com fecho irreversível, corretamente identificados. Estes deverão permanecer refrigerados durante o trajeto rumo ao laboratório e também precisarão ficar refrigerados até culminar as análises.

  • Cotonetes estéreis e secos

A forma como serão acondicionados varia de acordo com o tipo de amostra que abrigam. Nos casos de manchas secas, eles devem ser enviados ao laboratório sem refrigeração. A não refrigeração também é indicada para amostras de ossos e dentes, unhas e cabelos não decompostos.

 

Recebimento das amostras no laboratório

 

Receber as provas biológicas no laboratório é um passo extremamente importante. É imprescindível que todo o protocolo seja mantido e que os procedimentos estejam de acordo com o tipo de amostras.

Em suma, a genética forense proporciona conhecimentos e diversas técnicas e procedimentos ótimos para desvendar crimes. Com este ramo da genética, a perícia criminal potencializa os seus resultados e consegue aumentar a relação entre o crime e as provas obtidas. Felizmente, a contribuição da genética forense é ainda mais expressiva graças aos avanços em termos de tecnologia e conhecimentos.

Seja para a identificação de restos mortais, seja para a colaboração em crimes nos quais a vítima está viva, a genética consegue contribuir por meio da análise de diversos fluidos ou compostos humanos.

Mas lembre-se, para que os indícios encontrados nas cenas dos crimes sejam reconhecidos como provas é fundamental que o profissional tenha amplo conhecimento e expertise. O entendimento inerente à genética é potencializado quando se conta com um curso de biologia forense gabaritado e reconhecido no país. Quer saber onde encontrar um curso de perícia criminal de qualidade?

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